Com volta ao lucro, tele busca apoio de credores

Publicado em 14/11/2017 por Valor Online

Oi, comandada por Schroeder, continuou a perder clientes no 3º trimestre: quase 5 milhões a menos, em termos anuais Em meio a sinais financeiros positivos da companhia, o maior acionista individual da Oi - a portuguesa Pharol - retomou as negociações com o grupo de credores conhecido como G6, que apoia o plano de recuperação judicial da operadora. Membro efetivo do conselho de administração da empresa ligado aos portugueses, João Vicente Ribeiro viajou no fim de semana para Nova York com o objetivo de conversar com o grupo de instituições financeiras que estaria disposto a participar do aumento de capital da Oi. Ribeiro foi acompanhado por representantes da consultoria Laplace, que assessora financeiramente a operadora. Segundo apurou o Valor, as conversas poderão incluir uma revisão dos termos do "Plan Support Agreement" (PSA), acordo que estabelece as condições para o G6 - que inclui credores-acionistas da companhia - apoiarem o plano de recuperação judicial. Já está protocolada na Justiça uma versão do PSA, mas o documento ainda não foi assinado - está sob análise da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Em outubro, diretores estatutários da Oi se recusaram a assinar o PSA por entenderem que vários dos condicionantes incluídos no documento prejudicariam o caixa da companhia. Na semana passada, a alta direção da Oi esteve reunida no Rio de Janeiro por três dias com representantes do grupo de "bondholders" (detentores de títulos) assessorados pela Moelis & Company e G5 / Evercore, conta uma fonte que acompanha as conversações. Embora não exista ainda consenso em torno do plano de recuperação judicial da companhia, a Oi deu ontem uma mostra de vitalidade financeira. A operadora anunciou lucro líquido de R$ 217,5 milhões no terceiro trimestre do ano, o primeiro resultado trimestral positivo em dois anos. O lucro foi consequência da evolução operacional da empresa, que nos nove meses do ano cortou R$ 1,5 bilhão em custos, e da desvalorização do dólar frente ao real no período. O efeito cambial influiu positivamente sobre a dívida da companhia. Mesmo em recuperação judicial, a Oi continua a apurar suas despesas financeiras, o que gera efeitos contábeis de acordo com a variação cambial, uma vez que parte da dívida está denominada em moeda estrangeira. A Oi terminou o terceiro trimestre deste ano com lucro líquido consolidado (incluindo suas operações no exterior) de R$ 8 milhões, revertendo prejuízo de R$ 1,214 bilhão em igual período do ano passado. A valorização do real frente ao dólar afetou negativamente o resultado consolidado. Em igual período de 2016, as perdas da Oi com suas operações brasileiras foram de R$ 1,26 bilhão. Entre julho e setembro, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de rotina somou R$ 1,59 bilhão no Brasil, uma retração de 2,4% em relação ao mesmo período do ano passado. "O Ebitda [neste caso] é resultado mais da redução de custos do que do aumento de receita", disse o diretor-presidente da Oi, Marco Schroeder. A receita líquida total da operadora totalizou R$ 5,9 bilhões no 3º trimestre, uma queda de 4,4% frente a igual período de 2016. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, houve expansão de 2,2% na receita. Em termos de resultados operacionais, a base de clientes da Oi continua a encolher. A companhia fechou setembro com 62,93 milhões de clientes. Isso significa uma perda de quase 5 milhões de clientes em termos anuais. A maior parte dessa perda ocorreu na base de clientes de planos pré-pagos de telefonia móvel, que encolheu 10,2% para 39,62 milhões no 3º trimestre deste ano. "Esse é um movimento que vai continuar para o mercado como um todo", disse Schroeder, referindo-se à diminuição do mercado pré-pago no país. A base pós-paga teve acréscimo de apenas 0,3% no 3º trimestre ante o período de julho a setembro de 2016. O caixa da companhia engordou no 3º trimestre e fechou setembro num patamar de R$ 7,71 bilhões, o que representa um acréscimo de R$ 2,6 bilhões em relação a junho do ano passado, quando a Oi pediu recuperação judicial. Na comparação com junho deste ano, o caixa cresceu 3,85%.