Votorantim lucra 248% mais no 3º trimestre

Publicado em 14/11/2017 por Valor Online

O balanço do grupo Votorantim no terceiro trimestre trouxe duas realidades no desempenho, que mostrou um lucro líquido de R$ 519 milhões - 248% superior ao de um ano atrás. De um lado, retratou a recuperação dos preços dos metais no mercado internacional, principalmente zinco e alumínio, e da energia elétrica no mercado interno. Por outro, o resultado foi afetado pelo negócio de cimento, especificamente no Brasil: a Votorantim Cimentos reportou prejuízo de R$ 316 milhões de julho a setembro. A VC sofreu impacto da retração de quase 5% nas vendas de cimento no mercado brasileiro no período, além do recuo nos preços do produto. As operações da América do Norte mostraram uma recuperação próxima de 2%. Pesou no balanço da cimenteira efeito extraordinário de R$ 212 milhões, referente ao programa de Refis estadual de Mato Grosso. "Para os próximos trimestres já começamos a ver um clarão, com a desaceleração da queda de demanda de cimento no país, diz Sérgio Malacrida, diretor financeiro da Votorantim. A previsão revisada do setor é de 6% no ano e crescimento de até 1,5% em 2018. Os preços do zinco e do alumínio, negócios tocados respectivamente pela Nexa Resources (ex- Votorantim Metais) e por Cia. Brasileira do Alumínio (CBA), tiveram altas consideráveis - na média das cotações da Bolsa de Londres - entre um ano atrás e o trimestre passado. O zinco, de 31%, a US$ 2,96 mil a tonelada e o alumínio, de 24%, para US$ 2,012 a tonelada. A CBA se beneficiou ainda da venda de energia excedente no mercado. No fim de outubro, o grupo fez a abertura de capital da Nexa em Nova York e Toronto. A empresa, que tem a melhor margem operacional (26%), trouxe lucro de US$ 81 milhões no trimestre. Com a operação, neste trimestre está colocando para o caixa próprio e da Votorantim US$ 542 milhões (o equivalente a R$ 1,7 bilhão). Esse valor vai ter forte impacto na dívida consolidada da Votorantim no quarto trimestre, devendo levar - conforme estimativa de especialistas - a alavancagem abaixo de 3 vezes a relação de dívida líquida sobre o Ebitda. Além disso, a desalavancagem financeira poderá ser maior se a empresa apresentar um Ebitda semelhante ao deste trimestre. De julho a setembro, o Ebitda ajustado da Votorantim alcançou R$ 1,31 bilhão, com alta de apenas 1% sobre mesmo trimestre de 2016. Já a margem recuou dois pontos percentuais, para 17%. A empresa divulgou dívida líquida de R$ 15,9 bilhões, alta de 8% na comparação com dezembro de 2016. Isso levou sua alavancagem financeira a 3,85 vezes o Ebitda. A Votorantim apontou também a participação da equivalência patrimonial de Fibria (celulose), Citrosuco (suco de laranja) e Banco Votorantim no resultado - R$ 390 milhões. João Miranda, presidente do grupo, disse que isso reforça a importância da diversificação de seu portfólio variado de negócios. A receita líquida teve aumento de 12% no trimestre, comparado com um ano atrás, para R$ 7,5 bilhões. Foram considerados os desempenhos de Votorantim Cimentos, Nexa, CBA e Votorantim Siderurgia (Argentina e Colômbia). Tito Martins, presidente da Nexa, disse em conferência de analistas que os preços do zinco têm força para se manter nos patamares atuais, de 24 a 36 meses. "Está muito claro o déficit do mercado tanto de metal quanto de concentrado". Sobre o cobre, afirmou: "É o mineral da vez. Em dez anos o consumo deve ser muito maior. Tudo que se fala em relação à economia de energia, consumo, economia digital, carros elétricos... passa por aumento do consumo do cobre."