Zona do euro desacelera, mas menos do que se temia

Publicado em 07/11/2018 por Valor Online

Zona do euro desacelera, mas menos do que se temia

A economia da zona do euro desacelerou em outubro, marcando o menor crescimento em dois anos, com o aumento das tensões comerciais e das tarifas, assim como a maior incerteza política, o que afetou as exportações e o otimismo, segundo revelaram dados de atividade divulgados ontem.

Embora os mais recentes indicadores apontem para uma desaceleração relativamente ampla, a perspectiva não é tão negativa quanto se temia recentemente.

Qualquer sinal positivo será bem recebido pelas autoridades de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), à medida que elas buscam encerrar o programa de compra de ativos de US$ 2,6 trilhões até o fim deste ano, eliminado com uma das principais fontes de estímulo à economia da zona do euro.

O índice de atividade composto dos gerente de compra (PMI) compilado pela IHS Markit, visto como um bom indicador da saúde econômica, caiu de 54,1 em setembro para 53,1 em outubro, o menor patamar desde setembro de 2016.

Mas o índice segue confortavelmente acima da marca dos 50 pontos, que separa o crescimento da contração. "O crescimento econômico parece bem sólido", disse James Nixon da Oxford Economics.

Outros dados divulgados ontem mostraram que as encomendas à indústria aumentaram só 0,3% na Alemanha em setembro. Mas como a expectativa dos economistas ouvidos pela Reuters era de uma queda de 0,6%, isso sugere que a maior economia da Europa terminou o terceiro trimestre em uma base sólida.

E o índice de atividade final do setor de serviços na Alemanha foi revisto para 54,7 em outubro, depois de uma leitura preliminar de 53,6 - um dos maiores ajustes para cima da história dessa pesquisa.

A atividade econômica acelerou na França, com as empresas aumentando as contratações e o setor de serviços da Espanha crescendo no ritmo mais acelerado desde junho, apoiado pelo crescimento dos novos negócios, segundo mostraram índices PMIs anteriores.

"Os dados dos PMIs de outubro sugerem que a maioria das grandes economias da zona do euro terá um desempenho um pouco melhor no quarto trimestre do que no terceiro", observou Jack Allen da Capital Economics.

Como um todo, a economia do bloco cresceu 0,2% no terceiro trimestre, segundo dado divulgado em outubro. Uma pesquisa da Reuters sugere que o crescimento será de 0,4% neste trimestre.

Mas o setor de serviços da Itália encolheu pela primeira vez em mais de dois anos em outubro, num sinal de que a terceira maior economia da zona do euro está com dificuldades.

Além disso, pesa sobre a perspectiva para a região o fato de o governo da Itália estar num impasse com a Comissão Europeia sobre seus déficits, assim como a decisão da premiê da Alemanha, Angela Merkel, de não disputar a reeleição como presidente de seu partido.

O otimismo com relação aos negócios também é afetado pela saída do Reino Unido da União Europeia e a guerra comercial EUA-China. O índice de produção futura do PMI caiu de 62,1 para 60,5 em outubro, próximo do menor patamar em quase quatro anos.

"Há ventos contrários vindos dos temores com o protecionismo comercial e com um certo titubeio dos mercados de ações", disse Nixon. "Mas as quedas nominais do PIB que temos visto e alguns indicadores exageraram muito esses ventos contrários."

O PMI divulgado na sexta-feira mostrou que a atividade industrial na zona do euro teve o menor ritmo de expansão em mais de dois anos no mês passado, com os pedidos de exportação caindo pela primeira vez desde o fim de 2014, e os mais recentes dados sugerem que essa desaceleração está envolvendo o setor de serviços do bloco.

O PMI de serviço da zona do euro caiu de 54,7 em setembro para 53,7 em outubro, um patamar não visto desde o começo de 2017.

Reforçando os sinais de desaceleração, o ritmo de crescimento de novos negócios caiu para o segundo patamar mais baixo desde o começo de 2017. O sub-índice registrou 53,9 em outubro, de 54,8 em setembro.