2026: Brasil vota em Marrocos, mas América do Norte vence

Publicado em 13/06/2018 por Carta Capital

Se o presidente norte-americano Donald Trump cumprir a ameaça de deixar de apoiar os países que votassem contra a candidatura conjunta de Canadá, Estados Unidos e México para sediar a Copa do Mundo de 2026 o Brasil pode se preparar para ter problemas. Surpreendentemente, a CBF rompeu o pacto feito com a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) e foi a única federação do continente a votar no Marrocos, que perdeu a eleição por 134 a 65.

O coronel Nunes, o fantoche que “preside” a CBF em lugar do banido Marco Polo Del Nero enquanto não começa o mandato de Rogério Caboclo, deu uma explicação pouco convincente para a inesperada mudança de voto. “Estados Unidos e México já receberam a Copa do Mundo, agora era a chance do Marrocos.” Segundo o UOL, Nunes pensou que o voto era secreto e se surpreendeu ao ver sua decisão exposta no telão do auditório em que foi realizado o evento. O fato de a CBF ter virado casaca depois de a Conmebol ter anunciado publicamente que votaria em bloco na América do Norte pode provocar um desgaste no relacionamento com a entidade sul-americana.

O presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos, Carlos Cordeiro, preferiu comemorar a vitória a falar muito sobre a mudança de voto do Brasil. “Foi realmente uma surpresa o voto do Brasil no Marrocos, mas respeitamos os votos de todos. Não estamos preocupados com quem votou contra nós”

Trump havia deixado claro em sua conta no Twitter que ficaria de olho no voto de cada federação, e afirmou que não faria sentido os Estados Unidos continuarem apoiando países que votassem contra sua candidatura para organizar o Mundial de 2026. Além do Brasil, outros países importantes de fora da África que votaram em Marrocos – e que portanto estão na alça de mira de Trump – foram Bélgica, China, França, Itália, Holanda, Coreia do Sul e Turquia.

A votação foi eletrônica e aberta pela primeira vez. Entre as 211 federações filiadas à Fifa, oito não puderam votar: as quatro candidatas, Gana (não enviou representante ao Congresso da Fifa porque o presidente da Federação está preso) e três muito ligadas aos Estados Unidos: Guam, Porto Rico e Ilhas Virgens Americanas. O Irã  escolheu a opção “nenhuma das duas” e três associações se abstiveram de votar: Cuba, Eslovênia e Espanha (o presidente foi às pressas para a concentração da equipe em Krasnodar para demitir o técnico Julen Lopetegui).

A candidatura da América do Norte era obviamente a favorita, por sua infraestrutura muito superior à de Marrocos e, principalmente, pelo rio de dinheiro que promete gerar para os cofres da Fifa – a estimativa é de um ganho recorde de 11 bilhões de dólares para a entidade. O que poderia provocar uma zebra é a rejeição de vários países às posições de Trump em assuntos como imigrantes e  meio ambiente e à decisão de transferir a embaixada dos Estados Unidos em Israel para Jerusalém.

A candidatura vencedora já tem os estádios e locais de treinamento para as seleções prontos, e uma rede hoteleira suficiente para receber delegações e torcedores de 48 países – será a primeira Copa com esse número de participantes, a não ser que depois do Mundial da Rússia a Fifa decida antecipar o aumento do número de seleções para a edição de daqui a quatro anos no Catar.

Os Estados Unidos sediaram a Copa de 1994, que detém o recorde de público da história da competição com média de 69 mil pessoas por partida, e o México recebeu as edições de 1970 e 1986. Será a primeira vez que o Canadá abrigará jogos do Mundial.

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