Alckmin nega preocupação com suposta delação de Casagrande

Publicado em 08/08/2018 por Valor Online

Alckmin nega preocupação com suposta delação de Casagrande

Ruy Baron / Valor

Alckmin: “Nenhuma, nenhuma, nenhuma”, respondeu ao ser perguntado se tinha alguma preocupação sobre delação

Presidenciável do PSDB, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou ontem em sabatina no evento empresarial Gov Tech Brasil, que discute a agenda digital para o setor público, que não teme uma eventual delação premiada do ex-presidente da Desenvolvimento Rodoviário S.A (Dersa), Laurence Casagrande Lourenço - o executivo está encarcerado preventivamente desde o dia 21 e já foi denunciado por suposta corrupção envolvendo obras no trecho Norte do Rodoanel Mário Covas. A Dersa é uma empresa de Engenharia e Logística controlada pelo governo de São Paulo.

"Toda a experiência que nós tivemos com o Laurence Casagrande foi de uma pessoa correta. Aliás, eu quando assumi o governo indiquei como secretário de Logística e Transporte um membro do Ministério Público, um procurador de Justiça [Saulo de Castro Abreu Filho, também ex-secretário de Segurança Pública no governo Alckmin] que escolheu o Laurence Casagrande para presidir a Dersa, que já tinha trabalhado com ele na secretaria de Segurança Pública."

Segundo Alckmin, Casagrande "é uma pessoa de vida modesta, pessoa correta, competente. Não temos nada, nada, nada a temer", disse Alckmin. Indagado se tem alguma preocupação em ser citado em uma eventual delação, o candidato do PSDB respondeu: "Nenhuma, nenhuma, nenhuma". Ontem, rumores levaram o advogado de Casagrande, Eduardo Carnelós, a divulgar nota negando que exista essa possibilidade, classificando o boato de "mentira nojenta" que prejudica o exercício da defesa de seu cliente.

Para o tucano, a prisão de Lourenço é injusta. Ele está detido no presídio de Tremembé, interior de São Paulo. Questionado em qual palanque de candidato a governador de São Paulo vai subir - o do tucano João Doria ou o de Márcio França (PSB), que assumiu o governo após a renúncia de Alckmin para concorrer ao Planalto - Alckmin lançou mão de uma evasiva.

"Não existe palanque. Tem campanha. E o meu candidato é o João Doria. E vou defender o governo do Estado, que continua sendo bem governado pelo Márcio França", afirmou. Também participaram da sabatina o candidato do Novo, João Amoêdo, que anunciou que estuda ir à Justiça para participar de debates na televisão. O evento ainda contou com os candidatos Guilherme Boulos (PSol), Marina Silva (Rede) e Henrique Meirelles (MDB). Foi mediado por Luciano Huck, apresentador de TV que se interessou por disputar a Presidência.

Huck afirmou que o nível de renovação na política somente poderá ser percebido com clareza após as eleições deste ano. Indagado sobre o fato de as alianças partidárias continuarem se consolidando pela mesma regra da "velha política", o apresentador disse que acredita ser necessário incentivar o eleitor a escolher o seu candidato. Para Huck, será preciso uma "força descomunal" para se obter renovação política. "A gente vai ter de fazer uma força descomunal para tentar ter a maior renovação possível. Seja quem ganhar a eleição [presidencial], a gente vai saber depois da eleição qual o resultado desse esforço todo", disse.