Bocelli fala ao Correio sobre relação de carinho com música brasileira

Publicado em 16/05/2018 por Correio Braziliense Online

JC

José Carlos Vieira

Andrea Bocelli cantou árias sacras para 8,4 mil pessoas no Santuário de Fátima(foto: José Carlos Vieira/CB/D.A. Press)

Andrea Bocelli cantou árias sacras para 8,4 mil pessoas no Santuário de Fátima

(foto: José Carlos Vieira/CB/D.A. Press)


Lisboa (Portugal) — O frio avança primavera adentro na Europa. Em Fátima, pequena cidade a 130km de Lisboa, a temperatura variava entre 8ºC e 16ºC no último domingo. Era um dia especial para os católicos, comemorava-se centenário da aparição de Nossa Senhora. Às 10h, pelo menos 50 mil religiosos e peregrinos se acomodavam no largo da igreja principal para assistir às missas e celebrações. Entre os religiosos, estava o tenor italiano e uma das vozes mais perfeitas do bel canto Andrea Bocelli. Poucas horas depois, às 16h, ele se apresentaria na nova basílica da Santíssima Trindade que, pela primeira vez, recebia um evento musical dessa importância.


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Correio esperava pelo encontro (ainda em negociação naquela hora) com Bocelli antes de subir ao palco para cantar árias sacras, como Sancta Maria, de Pietro Mascagni, e Ave Maria, de Franz Schubert. Ao todo, 12 canções. Ele virá a Brasília em setembro, na turnê brasileira em que comemora 60 anos de vida.

Entre dezenas de jornalistas, a reportagem doesperava pelo encontro (ainda em negociação naquela hora) com Bocelli antes de subir ao palco para cantar árias sacras, como Sancta Maria, de Pietro Mascagni, e Ave Maria, de Franz Schubert. Ao todo, 12 canções. Ele virá a Brasília em setembro, na turnê brasileira em que comemora 60 anos de vida.


Do lado de fora da basílica, o público fazia filas enormes, sem ligar para o vento gélido. Todos os 8.547 ingressos gratuitos estavam distribuídos. Vinda da cidade próxima de Leiria, Fátima Coutinho estava ansiosa. “É um show marcante para nós, religiosos, que Bocelli supere todas as expectativas, disse ela, ao lado das amigas e do pai, Vitor Coutinho, que fez questão de acrescentar: “Um dia especial para o santuário e para a música sacra”.

 

Fátima Coutinho (de vermelho) com amigas e o pai: um sonho realizado(foto: José Carlos Vieira/CB/D.A. Press)

Fátima Coutinho (de vermelho) com amigas e o pai: um sonho realizado

(foto: José Carlos Vieira/CB/D.A. Press)


O casal de paulistas também não escondia a emoção. Ao lado da mulher, Soraia Hatty, Flávio Vicente de Souza havia reservado o ingresso ainda no Brasil. “Será um show emocionante, uma alegria fazer parte desta festa religiosa.”


Apenas três repórteres conseguiram ter acesso ao camarim de Bocelli. A chance de entrevistá-lo crescia. Na sala ao lado, o tenor aquecia a voz cantando trechos de Domine Deus, de Gioachino Rossini, ao lado do amigo e pianista Carlo Bernini. O espaço revelava a simplicidade do tenor, que vendeu mais de 90 milhões de discos em todo o mundo e, um dia antes, se apresentara em Praga, para um público de 60 mil pessoas. Seis toalhas azuis, cinco brancas, lenços de papel, suco de pera, água mineral e amendoins doce e salgado. Apenas isso.


O encontro foi rápido, durante o intervalo do concerto, mas intenso. “A religiosidade faz parte da cultura italiana. Na escola elementar, tive uma professora que sempre fala de (Nossa Senhora) de Lourdes e (Nossa Senhora) de Fátima. Sou devoto de todas que representam a Madona, a Virgem Maria”, disse.


Perguntado sobre que milagre pediria à Fátima, Bocelli, cego ainda na infância, com uma voz calma e respiração suave — nem parecia que havia cantado 10 árias há poucos minutos e voltaria ainda para encerrar a apresentação — respondeu simplesmente que era um afortunado. “Não tenho direito de pedir um milagre. Tive uma infância cheia de afeto dos pais, dos amigos e dos parentes... Mas peço que a Santa reduza o sofrimento no mundo.”


Tradição


Além de Brasília, ele se apresentará em São Paulo e em Porto Alegre. Quando se refere ao Brasil, suas feições mudam, ficam mais relaxadas e suaves. “Gosto da espiritualidade dos brasileiros (risos). Levam a alegria na fala, no canto. É um público que ama a música e tem uma bela tradição musical. O brasileiro se diverte...”

 

Os paulistas Flávio Vicente de Souza e Soraia Hatty: ingressos reservados(foto: José Carlos Vieira/CB/D.A. Press)

Os paulistas Flávio Vicente de Souza e Soraia Hatty: ingressos reservados

(foto: José Carlos Vieira/CB/D.A. Press)


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Não é de hoje esse carinho. Preconceito musical passa longe da agenda musical de Bocelli, que já cantou ao lado de artistas como Sandy e Anitta. “Estou sempre aberto a parcerias”. Mas indagado sobre qual canção brasileira gostaria de cantar, lembrou dos tempos em que tocava e cantava em pianos bares. “Gostava de cantar samba, das músicas de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, além de Toquinho, a quem tenho especial carinho.” Adiantou que ainda não finalizou o repertório para a turnê brasileira nem quem será o cantor convidado este ano, mas, certamente, terá canções do icônico disco Romanza.


Ao final do papo, o futebol. A pergunta foi direta para um “tiffosi” (torcedor) da “Squadra Azzurra”, eliminada do Mundial. Para qual seleção você vai torcer na Copa do Mundo? Uma bela risada italiana surgiu! “Que dor, que dor! Mas como todo fã de futebol que não tem seleção na Copa, vou torcer pela tradição brasileira, que tem nomes como Pelé, Félix, Rivelino e Jairzinho”. Aqueles 4 x 1 de 1970, marcaram o tenor.


Andrea Bocelli em Brasília

www.tudus.com.br.

As reservas para a primeira apresentação do tenor no Estádio Mané Garrincha, em 26 de setembro, estão disponíveis no site da Dançar Marketing: www.dancarmarketing.com.br , além dos sites oficiais de vendas www.livepass.com


O repórter viajou a convite da produtora Dançar Marketing