Bolsonaro recorrerá a palanques de aliados de Marina, Ciro e Alckmin

Publicado em 10/08/2018 por Folha de S. Paulo Online

Salvador

Enquanto Ciro Gomes (PDT) desfere impropérios contra Jair Bolsonaro e o chama de "câncer a ser extirpado", seu partido firmou aliança e abriu o palanque para os apoiadores do presidenciável do PSL no maior estado em que governa: o Amazonas.

O governador e candidato à reeleição Amazonino Mendes (PDT) terá o PSL de Bolsonaro no seu arco de alianças.

A situação se replica em outros estados, onde os correligionários de Bolsonaro não terão candidato próprio a governador e subirão em palanques de aliados de Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede) e Henrique Meirelles (MDB).

O caso mais emblemático é o de Mato Grosso, onde o governador Pedro Taques (PSDB), candidato à reeleição, terá a juíza aposentada Selma Arruda (PSL) como candidata ao Senado. A aliança abrirá o palanque de Taques a Bolsonaro, inclusive com a perspectiva de atos conjuntos na campanha. A única restrição feita pelo diretório nacional do PSDB é que não haja menção ao candidato do PSL no programa eleitoral do tucano.

"É natural da política o candidato ter mais de um palanque nacional. Não vejo problema se o nosso governador recepcionar o Bolsonaro", afirma Paulo Borges, presidente estadual do PSDB.

Em Mato Grosso do Sul, a situação é semelhante: o PSL fará parte da coligação do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), candidato à reeleição.

Para firmar essas alianças, o PSL também precisou negociar com o diretório nacional. Uma resolução do partido vetou alianças com PSDB, PDT e outros sete partidos, mas abriu exceções.

Na Paraíba, o apoio do PSL a Lucélio Cartaxo (PV) deve resultar num palanque triplo, que será dividido entre Marina Silva, Alckmin e Bolsonaro.

Cartaxo —que apoia Marina para o Planalto— terá como companheiro de chapa o tucano Cássio Cunha Lima (PSDB), que tentará a reeleição para o Senado.

A aliança, contudo, pode gerar problemas ao candidato do PV: o partido decidiu em convenção não ter candidato próprio a presidente, mas liberou seus filiados a apoiar qualquer um dos presidenciáveis, exceto Bolsonaro.

À Folha Cartaxo diz que irá tentar conciliar os diferentes palanques nacionais em torno de sua candidatura: "Cada partido apoiará seu candidato em nível nacional. Isso não será um problema", diz.

No Distrito Federal, o partido de Bolsonaro decidiu apoiar a candidatura ao governo do estado do advogado Ibaneis Rocha (MDB), colega de partido do presidente Michel Temer e que tem o ex-ministro Henrique Meirelles como candidato ao Planalto.

O mesmo acontece no Pará, onde o PSL apoiará Helder Barbalho (MDB) ao governo e Jader Barbalho (MDB) ao Senado. A família tem relações estreitas com o ex-presidente Lula (PT), a quem Jader prestou solidariedade em abril, quando o petista foi preso.

Na terra de Lula, Pernambuco, o partido de Bolsonaro estará no arco de alianças de Armando Monteiro (PTB). A parceria, contudo, não envolve apoio ao próprio Monteiro nem a Bolsonaro, como explica o presidente nacional licenciado do PSL, Luciano Bivar.

"Não apoiaremos nenhum candidato a governador. Entramos na aliança apenas para viabilizar uma chapa forte e eleger deputados federais", afirma ele.

Até a última semana, o partido integrava a base aliada do governador Paulo Câmara (PSB), que acabou coligando-se ao PT na eleição deste ano.

Na Bahia, o PSL chegou a anunciar apoio ao candidato a governador José Ronaldo (DEM), mas acabou mudando de coligação após a aliança nacional entre PSL e PRTB: vai apoiar o ex-prefeito de Salvador João Henrique Carneiro (PRTB).

Restaram as fotografias do candidato do DEM sorrindo na festa de convenção do PSL, em julho. E o discurso recheado de elogios a Bolsonaro, que foi chamado de determinado e corajoso.

"Não vejo nenhum outro grupo político que tem trabalho tão ativo, tão forte, tão espontâneo, tão guerreiro quanto é o de vocês", disse o candidato do DEM, na ocasião.