Brasileira recebe bolsa de mais de R$ 2,3 milhões destinada a gênios

Publicado em 03/12/2018 por Yahoo Brasil

A brasileira Livia Eberlin, de 32 anos, se tornou recentemente uma das poucas a receber uma bolsa da Fundação MacArthur, conhecida por ajudar pessoas consideradas "gênios". O prêmio tem como objetivo ajudar talentos de todo o mundo que tenham se destacado "criativamente" em áreas como computação, ciência e artes. "Quase caí dura no meu escritório. Quando falaram que era da fundação, achei que não fosse possível. Não sabia o que dizer", conta Eberlin, em entrevista ao jornal O Globo.

"Trabalhando em diversos campos, das artes e ciências à saúde pública e liberdades civis, os 25 contemplados estão resolvendo problemas científicos e matemáticos de longa data, criando formas de arte em territórios novos e emergentes e atendendo às necessidades urgentes de recursos insuficientes. A sua criatividade excepcional inspira esperança em todos nós", explica a fundação em sua página.

Projeto

Eberlin tem desenvolvido um trabalho no campo da espectrometria, utilizada para medir a massa das moléculas, utilizando a técnica para diagnosticar o câncer de pele. Ela e sua equipe desenvolveram  uma caneta que pode identificar se o paciente tem câncer em 10 segundos, bem menos do que o tempo que a técnica disponível atualmente necessita, de duas horas.

"Tecidos normais e tecidos cancerosos têm uma composição completamente diferente. Com a tecnologia que desenvolvemos, conseguimos analisar esses perfis em questão de segundos", indica.

A brasileira, que trabalha como professora no departamento de química da Universidade do Texas em Austin, terá direito a uma bolsa de US$ 625 mil ao longo de cinco anos, sem nenhum tipo de contrapartida. A ideia é permitir aos talentos que possam desenvolver seus projetos com "conforto e liberdade". "O  legal da MacArthur é que é de fato uma surpresa total para quem ganha. Eles são superdiscretos e não revelam quem fez as indicações para se chegar aos eleitos. A única coisa que me revelaram é que levam em consideração pelo menos 30 cartas de recomendação", aponta a cientista.

Apesar de ter completado sua formação fora do Brasil, ela elogia o país. "Minha formação no Brasil foi maravilhosa. Quando comecei o doutorado nos EUA me senti tão capacitada quanto os outros doutorandos - diz a cientista, que aponta a falta de recursos como o grande abismo que separa a ciência americana em relação a outros países".

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