Cena alternativa reunida

Publicado em 12/01/2018 por O Fluminense

Com 224 páginas e mais de 300 imagens, a obra está à venda através de impressão sob demanda

Foto: Divulgação

Lançado de forma independente em 2011, o livro "Niterói Rock Underground 1990-2010", do jornalista e quadrinista Pedro de Luna, está novamente disponível para compra. Pedro é o idealizador e organizador do Festival Arariboia Rock, criado em 2004 e que foi considerado um dos propulsores do rock de Niterói, reunindo bandas independentes fluminenses e de outras cidades do estado.

"Sempre documentei a cena rock de Niterói. Comecei no início dos anos 1990 com os meus primeiros fanzines. Em 1996, já colaborando com revistas e jornais, tive a oportunidade de entrevistar bandas como Planet Hemp, Raimundos e Pato Fu. Aquela nova cena de bandas nacionais era muito interessante. Foi nesta época que comecei a montar o meu acervo com fotos, vídeos e reportagens. Em 2010, já à frente do movimento Arariboia Rock, percebi que era urgente lançar um livro contando toda aquela história", afirma Pedro.

"Niterói Rock Underground 1990-2010" foi o primeiro de sete livros que Pedro acumula em sua carreira, e sua extensa trajetória na cena independente serviram de referência para a elaboração da obra.

"Basicamente, a pesquisa foi em cima do meu acervo pessoal e de algumas entrevistas pontuais. Além do material mais antigo, coloquei no livro um grande volume de flyers, fotos e reportagens de 2004 em diante, pois já estávamos na fase do digital. O próprio movimento Arariboia Rock começou em dezembro de 2004, a data em que foi estabelecido o Dia Municipal do Rock. Mas, assim como o meu livro, nunca fomentado pela Prefeitura", critica o autor.

Com 224 páginas e mais de 300 imagens, a obra está à venda no site da Amazon através de impressão sob demanda. Para o autor, o livro vem para reforçar a importância da cena independente em Niterói.

"Quem mora em Niterói muitas vezes não tem ideia da fama que a cidade alcançou fora dos seus limites. Não apenas pelos músicos da MPB, com seus trabalhos autorais ou acompanhando grandes nomes, mas também como a cidade de onde saíram músicos, jornalistas, produtores, fotógrafos e designers de mão cheia. Basta lembrar que Black Alien, Speed e DJ Rodrigues participaram do início da carreira do Planet Hemp e do Chico Science & Nação Zumbi. Ainda na cena independente, tivemos grandes nomes da cidade que se destacaram nos quadrinhos, na tatuagem e no skate", lembra Pedro.

Durante quase três anos, Pedro viajou pelo Brasil fazendo eventos de lançamento dessa história, além de passar por Buenos Aires e Lisboa, até esgotarem os mil exemplares que foram impressos. O escritor tem um sonho: transformar o Niterói Rock Underground em documentário.

"Estou sabendo que está para sair um fundo audiovisual para a cidade e vamos inscrever o projeto", adianta.
A Lei - Em dezembro do ano passado, a Lei Municipal do Dia do Rock em Niterói completou 10 anos de sua instituição pelo vereador Leonardo Giordano. Apesar disso, o autor Pedro de Luna delega a falta de apoio da Prefeitura durante esses anos ao festival Arariboia Rock, que teve 10 edições anuais, todas de forma independente.

A posição do vereador Giordano, de acordo com nota oficial, é "pela defesa do festival Arariboia Rock, bem como de  toda iniciativa que valorize o rock e demais expressões artísticas na cidade".

De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura/FAN, o gênero tem sido contemplado em diversos projetos como o "Palco Cultura Niterói", "Arte na Rua", "Circuito Quatro Estações", etc. O Arte na Rua, por exemplo, ainda de acordo com a Prefeitura, contou e conta com a participação de diversas bandas de rock locais, como Stone Rage, Bloody Mary & The Munsters, Lougo Mouro, Galalite, Calangles, etc . Todos selecionados de forma democrática através de editais públicos.

A Prefeitura ainda menciona o Edital da Lei de Incentivo, fechado em novembro do ano passado, que permite que empresas e cidadãos da cidade possam financiar projetos culturais mediante renúncia de até 20% do ISS e/ou IPTU. Em ambos os casos, até que se chegue ao teto de 1% da receita total do município, proveniente desses impostos.