Centro Cultural Raízes do Brasil ajuda a expandir a capoeira pelo mundo

Publicado em 06/12/2017 por Correio Braziliense Online

Luis Nova/Esp. CB/D.A Press
Até sábado, grupo promove ações em escolas públicas do DF


A união proporcionada pela capoeira supera a da arte marcial com a música. No Centro Cultural Raízes do Brasil, os laços são entre alunos, professores, cidades e países. Fundado em 1980, o projeto ultrapassou as expectativas de seu idealizador e consegue atender ao objetivo inicial: conservar e promover a história de uma das principais expressões culturais do país.

"A capoeira é uma filosofia de vida. Uso todos os dias, seja dentro do meu trabalho, seja junto à minha família. Ela me ensinou muito." É assim que Ralil Nassif Salomão, 57 anos, classifica a arte marcial. Para mostrar aos brasilienses as riquezas da capoeira, ele organiza o Encontro das Américas, Europeu e Africano de Cultura e Capoeira. Em 2017, o evento chega à 19ª edição. Até o próximo sábado, serão realizadas ações em escolas públicas do Distrito Federal. 

Na sexta-feira, um show contará com a apresentação de orquestras de berimbaus, de atividades típicas da capoeira - como puxada de rede, maracatu e maculelê - além da famosa roda de capoeira.Será no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, com a presença de instrutores de outras unidades da Federação e dos países em que o Raízes do Brasil atua.

Vínculo


A relação de Ralil com a capoeira começou aos 13 anos de idade. Decidiu virar professor e, aos 20 anos, criou o Raízes do Brasil. "Nessa época, eu vi a força e a riqueza da capoeira. Não só como esporte. Mas como arte, cultura e uma ferramenta extremamente importante para melhorar a qualidade de vida de qualquer pessoa", explica.

Com o tempo, Ralil expandiu o trabalho para outros locais do Brasil. Atualmente, mais de 16 unidades da Federação contam com instrutores formados a partir do seu projeto, que atingiu alcance internacional: são oito cidades da Califórnia, além de alguns locais do Havaí, na Itália e na Noruega.

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O trabalho na África, no entanto, é o que traz mais satisfação. "Contamos com mais de 800 estudantes em São Tomé e Príncipe. É a menina dos meus olhos, o que mais me deixa realizado dentro do mundo da capoeira. Um trabalho que era para ser de apenas um ano está sendo desenvolvido há seis", comenta.

Com a ajuda da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), o Raízes do Brasil oferece muito mais do que aulas sobre capoeira. São classes a respeito de cuidados de higiene, primeiros socorros, ecologia, meio ambiente, além de outras manifestações culturais brasileiras. "Nós vimos a capoeira se transformar em uma ferramenta importantíssima de socialização, de valorização do indivíduo, de autoestima e de visão para o futuro. As pessoas passaram a ser reconhecidas pela sociedade e a dar importância para a família", comemora.

Ralil conta que pretende expandir a atuação do Raízes do Brasil no continente africano, sobretudo nos países que falam português, como Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau. Para ele, essa é uma forma de agradecimento. "A capoeira foi germinada na África, mas nasceu no Brasil. É uma maneira de retribuir com o que a mãe África nos trouxe: cultura, aprendizado e alegria. A capoeira é muito mais do que esporte. É cultura", enaltece.


Transformação


Uma das principais características da roda de capoeira é a possibilidade de qualquer pessoa participar, conforme destaca Ralil. "Pessoas de nações, crenças, situações financeiras diferentes conseguem interagir e se respeitar. Às vezes, alguém não tem muita aptidão para a parte física, mas se encontra na música ou nos instrumentos. Existe espaço para todas as pessoas. Isso é uma coisa muito bacana."

O vínculo criado vai além da aula. Os alunos com quem se relacionou durante os 30 anos dedicados ao ofício têm também o carinho e a admiração de Ralil. "É um sentimento de proteção como se eles fossem meus filhos", afirma. Essa troca de energia e de sentimentos que ele cita ao falar da capoeira pode ser explicada pelos fundamentos valorizados no projeto Raízes do Brasil, entre eles perseverança, disciplina e respeito ao próximo. "Me dá uma alegria muito grande, porque nós formamos cidadãos. São novos multiplicadores, que estão passando essa mensagem do bem e da paz que a capoeira carrega."

Participe

19º Encontro das Américas, Europeu e Africano de Cultura e Capoeira

Hoje
Treino na Escola Parque 313/314 Sul, com o Mestre Ralil, às 19h30. Aberto ao público

Amanhã
Treino na Escola Classe 410 Sul, com o Mestre Papagaio, de Recife, às 19h30. Aberto ao público

Sexta-feira
Show Brasil de Raízes, no Auditório Planalto do Centro de Convenções Ulisses Guimarães, às 20h. Entrada: 1kg de alimento não perecível

Sábado
Batizado e troca de cordas, na Escola Parque 304 Norte, com o contramestre Nagi, às 9h. Aberto ao público