Companhias enviam mais mulheres e jovens para o exterior

Publicado em 07/12/2017 por Valor Online

Baettig, CEO da Crown, diz que apenas os executivos mais vips conseguem o pagamento de escola para os filhos no exterior Se antes a transferência para outro país era um privilégio apenas de uma casta de executivos mais experientes das organizações, hoje a mudança tem sido oferecida também para um grupo de jovens em busca de experiências internacionais e mulheres executivas. Quem afirma é o CEO para a América Latina da Crown, Raphael Baettig. A companhia, sediada em Hong Kong, há 50 anos assessora esses processos de transferência de profissionais pelo mundo. Em passagem recente pelo Brasil, onde a Crown atua desde 2001 e deve faturar US$ 5 milhões, Baettig concedeu uma entrevista ao Valor. O executivo diz que hoje observa, além da inclusão de jovens nos programas de expatriação, um número maior de mulheres sendo transferidas. "Existe um pool de talentos femininos que está crescendo nas organizações", diz. Em relação aos benefícios, Baettig afirma que eles pouco lembram os modelos antigos. Os pacotes estão bem mais enxutos e espartanos. "Ajudar na escolha e pagamento das escola para os filhos, por exemplo, é um serviço bastante vip que agora só é oferecido para níveis muito altos", afirma. No Brasil, o CEO diz que a companhia ajudou muito mais em transferências de brasileiros para o exterior, do que o contrário. "Houve um crescimento de 15% no número de profissionais daqui viajando este ano e uma diminuição de 10% no número de estrangeiros ingressando no Brasil." Entre os principais destinos buscados pelos brasileiros estão os países do Mercosul (60%), Estados Unidos (20%), Reino Unido (10%) e Ásia (10%). Segundo a Receita Federal, entre 2014 e 2016, foram entregues 55.402 declarações de saída definitiva do país, um crescimento de 81,61% na comparação com o triênio anterior. "Isso tem conexão com o momento econômico", diz Baettig. O CEO afirma que a maior procura das organizações clientes da Crown atualmente é por assessoria em serviços migratórios. Com a nova lei da Migração no Brasil, que entrou em vigor em novembro, a empresa tem muito mais o que explicar às companhias. No geral, os executivos da Crown acreditam que as mudanças facilitam a mobilidade de executivos no país, uma vez que propõe um novo visto categoria visitante que compreende tanto atividades de turismo quanto negócios. Outra demanda crescente das companhias tem sido por treinamentos intraculturais. "Nesse caso, um coach acompanha o profissional por dois dias para ajudá-lo na compreensão dos hábitos e da cultura do país onde ele vai estar morando", diz. A ajuda é personalizada e varia de acordo com as necessidades de cada profissional. O fato de alguém ter sido expatriado antes, uma ou mais vezes, pode ajudar no processo ou atrapalhar, dependendo se a experiência foi positiva ou não. Um atributo que pode ajudar nessa preparação para viver em outro lugar é a curiosidade de quem vai mudar. A cultura brasileira, segundo ele, é positiva nesse sentido. "Os brasileiros têm jogo de cintura e bastante flexibilidade para lidar com novas situações", afirma. Mas a duração do processo sempre vai estar relacionada com o país para o qual o executivo foi transferido e com o ritmo de adaptação do próprio profissional. "Não existe um país mais fácil que outro, isso pode variar para cada pessoa." Ele diz que os elementos intangíveis, que não são superficiais, são os que mais podem comprometer uma expatriação. "Não entender profundamente como funciona uma outra cultura e o porquê de as pessoas terem uma determinada reação pode causar muito estresse e frustração", diz. "O nosso objetivo é trazer à tona esses elementos inconscientes." A Crown tem 207 escritórios em 58 países e faturamento global de US$ 1 bilhão anual. São mais de 5 mil funcionários, de 54 nacionalidades, com 10% tendo sido expatriados. "Queremos viver o que vendemos", diz Baettig, que é suíço e já morou no Brasil, no México e no Chile.