Consolidar a República que os brasileiros almejam

Publicado em 14/11/2017 por Jornal do Comércio - RS

Neste dia 15 de novembro, o Brasil assinala a data da Proclamação da República. Em meio a desvios de conduta em diversos setores, públicos e privados, chegando até altos escalões do Congresso, alguns poderiam repetir uma frase em uso pelos que contestam algumas datas, dizendo que não há nada para ser comemorado. Mas, mesmo em meio a tantos dissabores e decepções da nacionalidade, temos sim o que festejar, almejando a consolidação de uma República com que todos nós sonhamos.
A Proclamação da República veio por meio do marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente da República brasileira em um governo provisório, de 1889 a 1891. Ironicamente, antes, ele era contrário ao movimento republicano e um defensor da monarquia. Para Deodoro, apesar de todos os seus problemas, a monarquia continuava sendo o "único sustentáculo do País, e a república sendo proclamada constituiria uma verdadeira desgraça por não estarem, os brasileiros, preparados para ela".
Os problemas no Império estavam em várias instâncias que davam base ao trono de Dom Pedro II, como o descontentamento da Igreja Católica, julgando que D. Pedro II interferia demais em decisões eclesiásticas, a insatisfação de oficiais do Exército pela determinação do imperador que os impedia de manifestar nos periódicos suas críticas à monarquia.
E após a Lei Áurea, os fazendeiros paulistas que já importavam mão de obra imigrante se tornaram contrários à monarquia. Finalmente, as classes urbanas em ascensão buscavam maior participação política e encontravam no sistema imperial um empecilho para alcançar maior liberdade de econômica e poder de decisão na política.
O governo republicano provisório teve Deodoro como presidente, marechal Floriano Peixoto como vice-presidente, tendo como ministros Benjamin Constant, Quintino Bocaiuva, Ruy Barbosa, Campos Sales, Aristides Lobo, Demétrio Ribeiro e o almirante Eduardo Wandenkolk, membros da Maçonaria. A filosofia Positivista de Auguste Comte esteve presente na construção dos símbolos da República. Desde a produção da bandeira republicana, com a frase que transborda a essência da filosofia de Augusto Comte, "Ordem e Progresso".
Passados 128 anos daquele dia, muitos se perguntam se, realmente, os brasileiros não estariam ainda sem uma República melhor, em que o império das leis esteja governando a Nação, permeando todas as instituições, e principalmente, punindo, com rigor, os desvios de conduta. Mas a experiência mostra ser esse o melhor modelo de governo. A origem da palavra República é do latim, res publica, ou coisa pública.
O conceito de república confunde-se com democracia, às vezes tomado no seu sentido etimológico de bem comum. Não houve grandes mudanças com a Proclamação da República no Brasil. De imediato, a abertura da política aos homens de posses, principalmente na agricultura. O poder da máquina pública no Império estava concentrado na figura do imperador, que administrava as decisões políticas. Na República abre-se espaço para a classe enriquecida que carecia desse poder.
Agora, mesmo com tantos problemas, devemos consolidar uma República em que a educação, a saúde e a segurança sejam os pilares da nacionalidade, com os Poderes atuantes no Estado Democrático de Direito. Assim, evitaremos as crises cíclicas em que discursos mirabolantes apontam para milagres administrativos que, na prática, acabam adiando um porvir bem melhor para o País.