Dia da Menina: casamento infantil e falta de acesso à educação ainda são obstáculos

Publicado em 11/10/2017 por O Globo

Refugiada no campo de Thyangkhali, em Bangladesh: mulheres e meninas representam maioria nesses locais - MUNIR UZ ZAMAN / AFP

De acordo com a ONU Mulheres, a data pretende abordar as necessidades e os desafios enfrentados, promovendo o empoderamento e o cumprimento dos direitos humanos. A agência lembra ainda que mulheres e crianças representam mais de três quartos dos que se tornaram refugiados ou deslocados internos. Elas são as mais vulneráveis em tempos de crise, informou a agência.

"No Dia Internacional da Menina, a ONU Mulheres pede que o mundo invista na formação de habilidades e na educação para as meninas, e em atividades de subsistência para jovens que enfrentam conflitos", diz um comunicado.

Mulheres e meninas enfrentam maiores riscos de violência sexual e de gênero, assim como danos aos seus meios de subsistência. Ainda sobre a desigualdade de direitos, as meninas são quase três vezes mais propensas a faltar à escola durante desastres do que os meninos. Como uma forma de garantir sua segurança, são, muitas vezes, forçadas a se casarem.

O casamento infantil e falta de acesso à educação de qualidade são as maiores barreiras para o progresso infantil feminino, indicou a ONG "Human Rights Watch", nesta quarta-feira. Milhões de meninas em todo o mundo são casadas ou estão sob risco de um casamento infantil, e o progresso governamental para frear esse problema e acelerar o acesso à educação ainda é lento, acredita a ONG. Uma em cada quatro crianças se casa antes de completar 18 anos de idade.

"O casamento infantil arruína as vidas de milhões de meninas, e inclui a restrição à educação", afirmou Liesl Gerntholtz, diretora para direitos das mulheres na Human Rights Watch. "A menos que os governos ajam decisivamente, o número de meninas casadas só crescerT, alertou ela.

A perda de acesso à educação é também a causa e consequência do casamento. Em todo o mundo, segundo a ONG, 32 milhões de alunas do primeiro segmento do ensino fundamental e 29 milhões do segundo segmento do ensino fundamental estão fora da escola. Essas meninas correm risco elevado de se tornarem vítimas de um casamento infantil.

DESIGUALDADE DE DIREITOS

Segundo informou a EFE, em países como o Sudão do Sul ou a Somália existem "milhões de meninas que continuam com seus direitos básicos negados". A diretora do Unicef para o Leste e Sul da África, Leila Pakkala, lembra que, em situações de conflito, as meninas têm 2,5 vezes mais possibilidades de serem retiradas do colégio.

"Em períodos de emergência e crise, a violência sexual afeta desproporcionalmente as meninas, que enfrentam alto risco de abusos, exploração e tráfico de menores", acrescentou.

A agência destaca que a grave seca na região do Chifre da África (no nordeste do continente) afeta especialmente as meninas, que têm "menos recursos, menos mobilidade e mais dificuldade para acessar redes básicas de informação".

"Quando as meninas recebem melhores serviços, segurança, educação e habilidades, estão em melhor posição para enfrentar conflitos ou desastres naturais", acrescenta o documento, que pede "investimento focalizado e colaboração" para "capacitar as meninas".

NAS REDES SOCIAIS

A data, criada pelas Nações Unidas, está sendo lembrada nas redes sociais. A hashtag oficial da campanha é #DayOfTheGirl.

O Facebook criou um doodle especial para o Dia Internacional da Menina, em que os internautas podem adicionar o tema à foto do perfil, fazendo referência à data. "As meninas de hoje, as líderes de amanhÔ, aparece na rede social. "No Dia Internacional da Menina, nós celebramos o potencial de cada jovem mulher de ser uma voz de impacto em sua comunidade. Esperamos que você se junte a nós para desejar a cada menina um futuro brilhante".

No Twitter, muitos internautas começam a repercutir o dia: as mensagens de empoderamento e valorização das meninas é maioria.