Diplomatas negam perda de relevância do Brasil no G-20

Publicado em 03/12/2018 por Valor Online

Diplomatas negam perda de relevância do Brasil no G-20

Diplomatas brasileiros consideram injusta a avaliação de que o Brasil perdeu relevância no primeiro G-20 realizada na América do Sul. Para eles, o Brasil continua tendo um papel importante nas discussões técnicas e nos bastidores, ainda que tenha ficado mais distante dos holofotes do que em outras reuniões da cúpula.

"Uma coisa é aparecer, outra é ter influência sobre negociações", diz uma alta fonte do Itamaraty. Esse interlocutor destaca que o país fez parte do "pequeno grupo que negociou o parágrafo de comércio" - principal tema do encontro - do comunicado final. Os diplomatas brasileiros também tiveram participação "central" na discussão de questões como meio-ambiente - outro tema de destaque - e fontes renováveis.

Secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Marcello Estevão presidiu nos últimos meses o grupo do G-20 responsável por debates sobre infraestrutura. De saída do governo, ele passará o bastão desse grupo para o seu sucessor na Fazenda, já que o Brasil continuará liderando as discussões sobre o setor no ano que vem. "Eles nos ouvem", disse.

"Continuamos um ator relevante", reforça o subsecretário-geral de assuntos econômicos e financeiros do ministério, Ronaldo Costa Filho, envolvido nas negociações do documento final do G-20.

Além das questões mais práticas, o governo brasileiro vê o soft power do país como outro importante ativo diplomático. "Como o Brasil não está no eixo dos conflitos, por exemplo os que envolvem China e EUA, temos maior facilidade para conduzir as discussões", diz a fonte do Itamaraty, destacando a importância de o país permanecer no grupo de negociadores de destaque, que inclui EUA, China e União Europeia. "Somos aproximadores de posições, trabalhamos na construção de consensos, e temos que manter essa postura. Poucos países do mundo têm uma diplomacia negociadora tão competente quanto a nossa."

Com um mês restante de mandato, baixa popularidade e problemas na Justiça, o presidente Michel Temer teve apenas dois encontros bilaterais na cúpula: com os premiês Lee Hsien Loong, de Cingapura, e Scott Morrison, da Austrália.

A situação de Temer contrastou com a do anfitrião e presidente da Argentina, Mauricio Macri, que teve reuniões bilaterais com as principais autoridades presentes no G-20, como os presidentes Donald Trump (EUA), Vladimir Putin (Rússia) e Xi Jinping (China).