Dólar volta a subir e tem nova máxima em 2018

Publicado em 16/05/2018 por Jornal do Comércio - RS

Mais uma vez os negócios com o câmbio foram marcados pela alta volatilidade. No intraday de ontem, o dólar oscilou entre a mínima de R$ 3,6432 ( 0,45%) e a máxima de R$ 3,6938 ( 1,85%) - e acabou fechando quase no meio do caminho, com valorização de 0,99%, cotado a R$ 3,6627. Nesse valor, continua na maior cotação desde 7 de abril de 2016. O giro no segmento à vista foi forte, de US$ 1,3 bilhão.
O dólar bateu a máxima pela manhã, por conta da alta já acelerada dos Treasuries americanos. Pouco depois das 14h, a alta foi se estagnando, apesar de a T-Note de 10 anos ter voltado a renovar máximas.
Segundo um especialista, o fato de o dólar ter segurado a valorização aqui apesar das máximas da T-Note é um bom sinal. Confirmada a cotação nesse fechamento, nesse dia mais nervoso, o sinal é que, nesses níveis mais próximos dos R$ 3,70, o dólar atrai fluxo vendedor, particularmente de exportadores. "A verdade é que quem tentar entender o comportamento do câmbio por aqui minuto a minuto vai ficar maluco", resumiu um operador.
Os juros dos Treasuries acumularam máximas também à tarde após o presidente da distrital de São Francisco do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), John Williams, reafirmar que três a quatro aumentos de juros neste ano "é a direção certa para a política monetária". Apesar de, em tese, ele manter a dúvida, uma vez que a especulação dos investidores é sobre se os juros subirão três ou quatro vezes este ano nos Estados Unidos, o mercado repercutiu a fala dele com novas altas dos Treasuries.
Pela manhã, as taxas reagiram aos dados de vendas no varejo nos EUA, que subiram 0,3% em abril, dentro do esperado, mas foram revisadas para cima em março (de 0,6% para 0,8%) nutrindo o aumento das apostas em quatro altas de juros.
Questionado sobre a valorização do dólar, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, relacionou a alta a fatores externos. Ele destacou que o País tem contas externas controladas com um déficit pequeno em transações correntes, financiado pela entrada de investimentos diretos, além de um grande volume de reservas internacionais. "O melhor que o governo pode fazer diante dessa mudança de cenário externo é persistir nas reformas estruturais e nas medidas de consolidação fiscal", respondeu.