Em SP, Bolsonaro tem ligeira vantagem sobre Alckmin

Publicado em 09/08/2018 por Valor Online

Em SP, Bolsonaro tem ligeira vantagem sobre Alckmin

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) é o que acumula maior taxa de intenção de voto para presidente no Estado de São Paulo em cenário sem o nome do petista Luiz Inácio Lula da Silva como candidato. Com 18,9%, está tecnicamente empatado com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) quase no limite da margem de erro, de 2,2 pontos para mais ou para menos. O tucano tem 15%.

Os resultados são da pesquisa CNT/MDA divulgada ontem. Na sequência aparecem Marina Silva (Rede), com 8,4%; Fernando Haddad (PT), 8,3%; Ciro Gomes (PDT), 6%; e Alvaro Dias (Podemos), 1,8%.

Realizado antes do fim de parte das convenções, o levantamento considerou nomes que saíram da disputa, como Manuela D'Ávila (PCdoB), Paulo Rabello de Castro (PSC) e Levy Fidelix (PRTB). Manuela poderá ser vice na chapa petista. Ela marcou 1,7% e é seguida por Guilherme Boulos (Psol), 1,1%. Outros sete nomes testados somam 4%.

O empate Bolsonaro-Alckmin no Estado ocorre quase nos limites extremos da margem de erro inversamente combinados: o máximo para baixo com Bolsonaro e, ao mesmo tempo, o máximo para cima com o tucano. Algo matematicamente possível, mas improvável.

A pesquisa foi feita simultaneamente ao noticiário que expôs as dificuldades de Bolsonaro para encontrar um vice. No período, especulou-se sobre personagens vistos como sem densidade política. Entre os cotados estavam a advogada Janaína Paschoal, o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança, o astronauta Marcos Pontes e dois generais da reserva, Augusto Heleno e Hamilton Mourão. Ele ficou com o último, filiado ao PRTB.

No período recente, o eleitorado Bolsonaro foi exposto nas entrevistas ao programa "Roda Viva" e à "GloboNews", em que foi desafiado a se aprofundar em propostas.

Alckmin esteve associado a notícias ruins, como o avanço das suspeitas em relação a obras de seu governo. Mas conseguiu superar a questão do vice de forma menos tumultuada com a escalação da senadora Ana Amélia (PP-RS).

Outro cenário testado pelo MDA foi com o nome de Lula entre os candidatos. O petista marcou 21,8%, 3,4 pontos a mais que Bolsonaro; Alckmin obteve 14%. Nesse caso, as taxas de branco, nulo e indecisos são consideravelmente menores: 26,8% ante 34,5%.

Isso sugere que quase 8% dos eleitores do Estado que gostariam de votar em Lula ficam sem candidato quando o ex-presidente não está na disputa. A tendência é que, com o tempo, a maior parte desse contingente migre para o ex-prefeito Fernando Haddad, o nome que deve ser indicado como cabeça de chapa do PT quando a Justiça Eleitoral recusar de vez o pedido de registro de candidatura de Lula.

Realizada entre 2 e 5 de agosto, a pesquisa não captou o noticiário acerca da oficialização da escolha de Haddad como vice de Lula na chapa que o PT planeja inscrever. Nem a do PC do B ao PT com desis tência de Manuela, outro naco que tende a ir para Haddad. A aliança foi anunciada na noite de domingo, quando o trabalho de campo da pesquisa já estava concluído.

Estado mais populoso do país, São Paulo reúne 22,4% do eleitorado nacional. O instituto não fez pesquisa espontânea para presidente ou simulação de segundo turno. Nem mediu rejeição.

Na disputa pelo governo paulista, o MDA apurou empate entre o ex-prefeito João Doria (PSDB) e Paulo Skaf (MDB): 16,4% a 16,2%. O atual governador, Márcio França (PSB), e o candidato do PT, Luiz Marinho, também aparecem empatados: 5% e 4,8%, respectivamente.

A candidata do Psol, professora Lisete Arelaro, aparece com 2,8%. Os demais nomes têm menos de 1% de preferência. Brancos, nulos e indecisos são mais da metade do eleitorado paulista, 50,9%.

Em simulação de segundo turno, Skaf fica numericamente à frente de Doria (29,7% a 26,8%), bate França (30,8% a 17,9%) e Marinho (35,6% a 13,2%). Doria vence França (31,2% a 20,6%) e Marinho (33,6% a 17,6%).

O MDA entrevistou 2.002 pessoas em 75 municípios. Os registros na Justiça Eleitoral são BR-05911/2018 e SP-04729/2018.