Estados Unidos saem da Unesco e acusam agência de ser anti-Israel

Publicado em 12/10/2017 por O Globo

Sede da Unesco em Paris - Francois Mori / AP

WASHINGTON - Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira que vão se retirar da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), anunciou o Departamento de Estado. De acordo com a gestão do presidente Donald Trump, a agência adota um viés anti-Israel e tem dívidas elevadas, necessitando de uma reforma interna. Washington afirmou que pretende estabelecer uma missão de observação no órgão da ONU em substituição a sua representação nela, informou a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert.

Os Estados Unidos cortaram o financiamento à Unesco após o órgão decidir incluir a Autoridade Palestina como um membro em 2011, mas o Departamento de Estado manteve seu escritório na sede da agência em Paris, na tentativa de avaliar as políticas definidas. Autoridades americanas, incluindo a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, já emitiram repetidas condenações a Unesco.

"Essa decisão não foi tomada levemente, e reflete as preocupaçõe dos Estados Unidos com o aumento das dívidas na Unesco, a necessidade de reformas fundamentais na organização e o continuo avanço anti-Israel na Unesco", disse o Departamento, acrescentando que os Estados Unidos buscaram "permanecer engajados (...) como um Estado não-membro observador para contribuir com as visões, perspectivas e expertise americanas.

A entidade da ONU lamentou a saída dos Estados Unidos. A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, afirmou que a medida americana marca uma perda para o multilateralismo e para família ONU.

"Após receber uma notificação oficial do secretário de Estado dos Estados Unidos, o senhor Rex Tillerson, como diretora-geral da Unesco, gostaria de expressar profundo pesar sobre a decisão dos Estados Unidos da América de se retirarem da Unesco", disse Bokova em comunicado. "A universalidade é essencial para a missão da Unesco de construir a paz e a segurança internacionais em face do ódio e da violência através da defesa dos direitos humanos e da dignidade humana".

SEGUNDA RETIRADA DOS EUA

Essa é a segunda vez que o governo americano decide abandonar a Unesco. A gestão do ex-presidente Ronald Reagan tomou tal medida na década de 1980. Duas décadas depois, no governo de George W. Bush, os Estados Unidos voltaram a se associar à agência da ONU.