Estrutura modesta do PSL limita Bolsonaro, dizem especialistas

Publicado em 16/05/2018 por Carta Capital

À frente nas pesquisas eleitorais em cenários sem o ex-presidente Lula, Bolsonaro terá dificuldades para crescer com uma estrutura partidária modesta. Com apenas 6, 5 milhões de reais do fundo partidário em 2018, seu partido, o PSL, não é atraente para outras legendas interessadas em uma coalizão.

A análise é do Fernando Guarnieri, professor de ciência política na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). "O Bolsonaro está num partido insignificante, e não há um movimento nos partidos tradicionais de abrir palanque para ele. É muito complicado que consiga vingar."

Nesse sentido, o principal empecilho que um candidato sem coalizão ampla como o deputado pode enfrentar é o acesso aos dois fundos públicos aos quais os partidos terão direito nesse ano. Distribuídos proporcionalmente de acordo com o número de representantes eleitos, o fundo partidário e o fundo de campanha tenderão a inviabilizar as candidaturas dos partidos pequenos.

O valor do fundo partidário disponível para o PSL é 15 vezes menos do que a quantia à disposição do PT, maior arrecadador. Para as eleições, a coligação de que faz parte - em conjunto com outros partidos "nanicos", como PTB, PROS e PRP - terá de rachar 62 milhões de reais do total de 2 bilhões destinados às campanhas.

Para Guarnieri, a maneira como o fundo de campanha é distribuído "prejudica ele, evidentemente". "Por outro lado", pondera, "ele vai ter algum". "Fosse em 2014, não teria nada. Seria muito difícil pleitear alguma campanha. É suficiente? Acredito que não, mas é alguma coisa."

O professor se refere à última eleição, quando ainda não existia fundo de campanha - a reserva foi criada no ano passado, após tramitação nas duas instâncias do Congresso, como forma de compensar a proibição de doações de pessoas jurídicas.

Esther Solano, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que vem estudando o fenômeno Bolsonaro, segue linha similar. "Tudo indica que ele não cresce mais. Parece que ele já bateu nessa trave, porque nas últimas pesquisas continua fixo [nas intenções de voto]", afirma.

"Há talvez um certo paradoxo, porque ele tem uma aceitação social muito grande, mas não tem a máquina eleitoral que os outros têm." Pelo baixo número de representantes do PSL no Legislativo - são oito deputados federais e nenhum senador -, seu tempo de televisão também deve ser reduzido. "Vai ser interessante observar até que ponto a militância vai ser suficiente para ele se manter, ou se ele vai cair justamente no momento da eleição por não ter máquina", conclui Solano.