Exercícios funcionais estimulam diversas habilidades nas crianças

Publicado em 12/10/2017 por O Globo

Criança saudável é aquela que se movimenta. Mas brincar de pique-pega, esconde-esconde e pular corda já não é tão frequente na rotina de alguns pequenos, que preferem se divertir com jogos digitais. Porém, como os exercícios físicos são importantes para desenvolver a coordenação, o equilíbrio e outras habilidades devem ser praticados desde cedo. Como alternativa aos esportes, alguns pais têm optado pelo treinamento funcional. Como Cláudia Mello, mãe do José, de 11 anos.

- Pensei em fazê-lo sair um pouco do computador e ir brincar, voltar a ser criança. Apesar de ele estar fazendo funcional há apenas 2 meses, a agilidade e o equilíbrio já estão melhor - avalia a mãe.

Nas aulas, as crianças fazem atividades que envolvem salto, agachamento e brincadeiras com bolas, tudo de uma maneira lúdica, a fim de entreter os pequenos.

- As crianças adoram porque fazem uma aula leve, adquirindo qualidades físicas que serão importantes para elas agora e como adultos. São exercícios divertidos de fazer. Transformamos a aula em algo interessante para elas, mas sem perder o foco do tipo de habilidade que queremos desenvolver - explica o professor Flavio Senra, que dá aulas de funcional para crianças no Centro de Saúde Revigore.

Além de trazer melhorias físicas para a criança, praticar exercícios podem ajudar a melhorar o desempenho escolar.

- As crianças que praticam atividade física regularmente conseguem ter mais disciplina, foco e atenção e isso impacta diretamente no rendimento escolar - comenta Ana Cristina Barreto, conselheira do Conselho Regional de Educação Física da 1ª Região.

Obesidade infantil cresce no mundo todo

A obesidade infantil atinge atualmente dez vezes mais crianças e adolescentes do que na década de 1970. Isso significa que o grupo de indivíduos entre 5 e 19 anos que estão acima do peso saltou de 11 milhões naquela época para 124 milhões. Os dados são do estudo liderado pelo Imperial College de Londres e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, 9,4% das meninas e 12,7% dos meninos estão obesos.

- As taxas de obesidade em crianças e adolescentes continuam a aumentar em países de baixa e média renda, o que é preocupante - afirmou o autor principal do estudo, Majid Ezzati, da Escola de Saúde Pública do Imperial College.

Erika Paniago Guedes, diretora do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), destaca a importância de a família perceber a gravidade dessa condição na infância.

- Muitas vezes, os pais não percebem que o filho está acima do peso. Só procuram ajuda anos mais tarde.