Festival Internacional Literário da Diáspora Africana (Flidam) começa quinta-feira em Meriti

Publicado em 13/11/2017 por O Globo

Por cinco dias, a cidade de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, vai respirar literatura, arte, culinária, música e dança afro-brasileiras. Começa na próxima quinta-feira a quinta edição do Festival Literário Internacional da Diáspora Africana (Flidam). Com o tema "Identidades negras", o evento debaterá o reconhecimento da negritude:

- Escolhemos o tema devido à dificuldade de o negro se assumir. Também há a questão de o negro ter que ser de religiões de matrizes africanas. Mas ele pode ser o que quiser. Temos é que discutir seus valores afrocentrados - explica Sandra Fabiano, produtora executiva do Flidam.

Este ano, a homenageada será a ialorixá, ativista dos Direitos Humanos e escritora Mãe Beata de Iemanjá, que morreu em maio aos 86 anos. O superintendente de Igualdade Racial de São João de Meriti, Frei Tatá, disse que a sacerdotisa representava a luta da região:

- Ela falava no candomblé, mas também para fora. Era sensível à questão de gênero e da negritude. Por tudo o que fez, merece ser lembrada.

O festival contará com a presença da coordenadora do Comitê Pró-Equidade de Gênero, Raça e Etnia da Casa da Moeda do Brasil, Helena Theodoro, que dará uma palestra na sexta-feira, às 11h. Uma novidade deste ano é o sarau promovido pela Academia de Letras e Artes de São João de Meriti.

A culinária africana, a música e as artes plásticas também terão vez no evento. Rita Vianna, que pinta quadros com temática africana, vai expor suas telas durante o festival. Artista há 14 anos, ela conta que começou a se debruçar sobre a cultura negra há um ano. Entre suas telas, quadros que retratam a beleza e o poder de mulheres:

- Depois que comecei a pintar sobre este tema, cada quadro é uma emoção. Quero colocar na tela a beleza, a majestade, a liberdade e a autoestima da cultura negra.

E a valorização da mulher negra também será abordada pelo Grupo de Mulheres Yepondá, com oficinas e rodas de conversa.

- Falamos sobre temas impactantes, ligados à questão religiosa e cultural - destaca Iyá Lúcia de Oxum, coordenadora do grupo.

Trem do Flidam virou tradição

Uma das principais atrações do evento, o Trem do Flidam já virou tradição na cidade. Realizado sempre no sábado, o trem parte da Central com destino à Pavuna, levando os grupos Afoxé Guerreiros de Odé e Afoxé Raízes Africanas, além de religiosos e admiradores da cultura afro. Ao som do ijexá, os integrantes vão dançando até a Paróquia São João Batista, na Praça da Matriz, no Centro de Meriti. Lá, eles iniciam a lavagem da escada da igreja.

Pela primeira vez, o Movimento Umbanda do Amanhã (Muda) vai participar da cerimônia.

- Vamos levar cerca de 30 pessoas para esperar o trem e integrar a procissão até a igreja. A ideia é que a umbanda tenha mais representatividade - assinala a vice-presidente do Muda e dirigente espiritual da Casa de Cláudia, Marilena Mattos.

Outra voz representando a umbanda, Mãe Zilmar, zeladora da Casa de Caridade Pai Benedito d'Angola, em Éden, participa desde o primeiro festival com o grupo Respeitem o Meu Canto. Mas este ano, a presença vai ser ainda mais especial. Os integrantes, que vão tocando durante a procissão, se preparam para o lançamento do primeiro CD.

- É uma emoção lançar nosso disco, no próximo dia 26, na quadra da Tradição - vibra Mãe Zilmar.

Programação

Na sexta-feira, dia 17, a escritora Rosiane Rodrigues vai apresentar seus livros "Nós do Brasil", "Quem foi que falou em igualdade?" e "Para pensar diferente: cidadania, igualdade e direitos", às 15h, na inauguração da placa de tombamento do Ilê Axé Opó Afonjá, em Coelho da Rocha. O escritor Ney Santos lança "A Busca" e relança "Capitulino, Bom Para Cachorro", domingo, dia 19, às 15h, na Praça da Matriz.

A artista plástica Rita Vianna vai expor na Praça da Matriz e no Shopping Grande Rio, onde também fará oficinas. Haverá ainda mostra temática de cinema ao longo da programação: A Flidamcine. Diversas tendas vão fazer parte do Flidam. Uma delas é a tenda Carolina de Jesus, do grupo Yepondá, que vai promover rodas de conversas com escritoras, oficinas de bonecas Abayomi e de turbantes.