Filósofa Judith Butler responde aos ataques de ódio sofridos no Brasil: Mundo gay é poderoso

Publicado em 13/11/2017 por Diário de Pernambuco Online

Filósofa de 61 anos explicou, em vídeo, a razão pela qual suas teorias são atacadas. Foto: YouTube/Reprodução
Filósofa de 61 anos explicou, em vídeo, a razão pela qual suas teorias são atacadas. Foto: YouTube/Reprodução

Alvo de ataques, ameaças e intimidações durante visita ao Brasil na semana passada, a filósofa norte-americana Judith Butler se manifestou sobre as manifestações de ódio contra ela em vídeo publicado pela Boitempo, editora que publica os livros dela no país. "O mundo que os conservadores querem destruir, o mundo gay e lésbico, o mundo trans, o mundo feminista, já é muito poderoso. Eles não têm nenhuma chance de destruí-lo", disse ela na publicação. 

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"É muito difícil para as pessoas que têm se beneficiado dessa dominação e se beneficiado do caráter hegemônico do casamento heterossexual entender que outras pessoas que não são heterossexuais possam querer se casar, ou pessoas que não querem se casar, mas querem viver juntas e ter filhos, ou que mulheres possam querer ter filhos por conta própria, através do uso de tecnologia reprodutiva, ou trabalhadoras do sexo possam querer ter direitos pelo trabalho que fazem e aposentadoria quando forem idosas", acrescentou. 

A escritora de 61 anos teoriza acerca de gênero e sexualidade e, desde o desembarque no Brasil, para uma palestra no Sesc Pompéia, em São Paulo, foi ataca por manifestantes que a acusaram de defender a "ideologia de gênero", o aborto, pedofilia, zoofilia e de "corromper menores". "Todas essas reivindicações embaralham a família heterossexual", completou. "Existem heterossexuais casados e com filhos que também apoiam o casamento gay e lésbico, ou apoiam pessoas transexuais, ou apoiam pessoas intersexo, ou apoiam, mães solteiras, ou tecnologia reprodutiva, então nem todos os heterossexuais são tão defensivos, nem todas as famílias heterossexuais pensam: Ah, toda família deve se parecer exatamente como a nossa". 

Assista ao vídeo: 

 

Butler foi atacada também no aeroporto de Congonhas, na capital paulista, ao embarcar de volta para os Estados Unidos. Ela foi alvo de pessoas com cartazes que diziam que ela não era bem vinda. Em um vídeo, compartilhado nas redes sociais, os manifestantes se organizam para atacá-la. "O importante é que ela está aqui, nós pegar ela, cercar e mostrar as plaquinhas de youre not welcome [você não é bem vinda, em português]", diz uma mulher nas imagens. Minutos depois, Butler é vista andando pelo saguão do aeroporto e eles a hostilizam, dizendo que é "corruptora de menores", "assassina", "a favor do aborto" e "contra Israel", dentre outros gritos. 

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