Um golpe de mestres

Publicado em 09/08/2018 por A Gazeta - MT

Quinta, 09 de agosto de 2018, 00h00

Editorial

Da Editoria

Finalmente a segurança pública de Mato Grosso foi na veia do crime organizado e mostrou o trabalho ímpar da inteligência. Agiu para descapitalizar os líderes da facção que, mesmo atrás das grades, continuam dando ordens, impondo regras, determinando execuções.

Enquanto outras operações eram realizadas para prender membros da organização e ir desarticulando a estrutura do lado de fora dos presídios, por 15 meses o dinheiro da facção foi seguido. Contas milionárias descobertas.

Na maior operação contra a facção criminosa realizada em Mato Grosso, ficou claro um esquema onde ou paga, ou morre. E o lucro é imenso.

Levando em consideração que há 10 anos começou a se falar do risco da implantação das organizações criminosas no Estado, da lentidão para começar as ações efetivas contra a que de fato se instalou, esta operação há de ficar para a história. Os números são surpreendentes, mas o trabalho mostra, acima de tudo, que de fato em Mato Grosso o crime organizado não terá trégua.

É evidente que a operação não põe um fim nas ações da facção, mas com certeza abala todo o sistema criado por ela. E toda investigação não acaba quando uma operação é deflagrada. Para se ter uma ideia, foram cumpridos quase 60 mandados de busca e apreensão domiciliares e são nestas buscas que sempre surgem novos fatos, novos personagens, novas provas.

Infelizmente, o combate ao crime é uma luta que, pelo menos por enquanto, não se visualiza o fim. Por mais que se invista em segurança, nas operações, nestes trabalhos de inteligência, o crime permanece. Porque, na verdade, não é só a segurança que vai mudar a realidade.

O discurso já está até velho, de tanto que é dito e repetido, e todos já sabem que para mudar a realidade é necessário investir em educação, saúde, cultura, esporte e muito mais. Sendo a educação e saúde os essenciais. Mas estas duas áreas, infelizmente, não caminham tão bem.

No Brasil, as pessoas chegam à universidade analfabetas funcionais. Tira-se um diploma sem entender a profissão. Ou pior, pratica a profissão sem nem ter diploma e muito menos conhecimento. A educação não é tratada mais com o devido respeito. Ir à escola não significa mais aprender. A valorização dos professores é outra coisa que parece que não vai mais ocorrer. Agora imaginem um Brasil sem professores! É um absurdo, claro, mas talvez nem tão impossível assim.

Se levarmos em consideração que em Rondônia a Justiça chegou a determinar o fechamento da fronteira para que não entrasse mais nenhum venezuelano no país, podemos ver que o Brasil é cheio de absurdos.

Pois bem, daí, muitos que têm conhecimento o utilizam para proveito próprio e não para o bem. Discursar, propor mudanças, falar em novas opções, escolhas, é tudo muito fácil. Difícil é manter a postura, não recuar e, acima de tudo, fazer as mudanças acontecerem. A questão também é assumir responsabilidades.

A segurança pública deu um passo extremamente importante em Mato Grosso. A população agradeceria se os mestres e doutores da educação e saúde fizessem o mesmo.