Haddad começa a vencer resistências do PT

Publicado em 09/08/2018 por Valor Online

Haddad começa a vencer resistências do PT

Leo Pinheiro/Valor

Jaques Wagner: ex-governador da Bahia negou mais de dez vezes o convite feito por emissários de Lula para encabeçar a chapa petista à Presidência

Quatro dias após o anúncio da chapa oficial Lula-Haddad à Presidência da República, com o PCdoB no banco de reservas até entrar formalmente no jogo, o ex-prefeito de São Paulo começa a vencer resistências internas para se consolidar como o substituto efetivo do ex-presidente nas urnas quando a hora chegar. Ontem o PT discutiu o papel de Fernando Haddad no embate pela presença de Lula nos debates com presidenciáveis, e definiu os representantes do PCdoB na coordenação de campanha.

Haddad assumiu o posto depois que emissários de Lula ouviram mais de uma dezena de negativas do ex-ministro da Casa Civil Jaques Wagner para a missão.

Segundo uma liderança da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil - de Lula e Haddad, - 90% do partido preferia Jaques para assumir o lugar de candidato quando a Justiça Eleitoral declarar a inelegibilidade do ex-presidente. Condenado em segunda instância, Lula deverá ser barrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre o fim de agosto e meados de setembro.

Na sexta-feira - dois dias antes do anúncio da chapa Lula-Haddad-Manuela, - a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, fez o apelo final a Jaques Wagner em Salvador, sem sucesso. Antes disso, petistas do núcleo mais próximo a Lula, como o candidato ao governo de São Paulo, Luiz Marinho, foram até a Bahia transmitir o pedido do ex-presidente para que assumisse a missão. Mas Jaques respondeu a todos eles que não se preparou para ser presidente da República.

Nessa conjuntura, um quadro histórico do PT, também do núcleo lulista, observou que Haddad "amadureceu muito" nos últimos tempos. Outra liderança da CNB acrescenta que ele aceitará "ser enquadrado", ou seja, seguir as instruções do partido - numa alusão a Dilma Rousseff, que não se submetia às orientações e aos pleitos da sigla.

Um dirigente da segunda maior corrente petista, a Democracia Socialista (DS), diz que a opção por Haddad é consenso na tendência. Mas todos confirmam que o líder da Articulação de Esquerda, Valter Pomar, lançou o nome de Gleisi para o lugar de vice na chapa.

Ontem, na reunião da Executiva Nacional em Brasília - sem a participação de Haddad, - a cúpula petista discutiu a participação de Lula nos debates com presidenciáveis, e o papel de Haddad neste caso.

Enquanto um grupo argumenta que apenas Lula deve participar dos debates, se for autorizado, outra ala pondera que Haddad, como vice, encarna o "representante" da chapa, e não o "substituto" do líder petista.

Há dúvida sobre a melhor estratégia política e jurídica: se o PT deve entrar na Justiça para que Haddad possa representar Lula nos futuros debates. Os advogados protocolaram recurso no Tribunal Regional Federal da 4ª Região para que Lula participe hoje do debate na Band, ainda que por videoconferência.

O PT também vai convocar a militância para protestar contra o veto da Justiça Federal à participação de Lula na frente da sede da emissora em São Paulo.

Em outra frente, a Executiva chancelou ontem a entrada do PCdoB na coordenação da campanha. Nádia Campeão, que foi vice de Haddad na prefeitura paulistana, e Walter Sorrentino representarão o aliado nas decisões do colegiado.