Haddad inclui nomes de sua confiança em núcleo de campanha

Publicado em 14/09/2018 por Valor Online

Haddad inclui nomes de sua confiança em núcleo de campanha

Por Andrea Jubé e André Guilherme Vieira | De Brasília e São Paulo

O candidato do PT a presidente da República, Fernando Haddad mudou a equipe de coordenadores originalmente constituída pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Haddad resolveu nomear seu ex-secretário de Governo da Prefeitura de São Paulo Francisco Macena, conhecido como Chico Macena, para a função de coordenador de finanças. E indicou Emídio de Souza, um dos quadros da Executiva Nacional de quem mais se aproximou, para reforçar o time de conselheiros.

A entrada de Macena e Emídio na cúpula da campanha comprova o que havia antecipado o Valor: que empoderado por Lula como candidato do PT à Presidência, Haddad agiria rápido para formar um núcleo de sua confiança na instância decisória.

A tomada de rédeas de Haddad mostra que a campanha ganha a identidade do candidato, mas ainda de forma parcial. Nenhuma mudança extrema, na estratégia ou no time de conselheiros, será operada sem ser acertada previamente com Lula, que continuará ditando a linha de ação eleitoral. Haddad deverá manter a rotina de visitas semanais ao ex-presidente em Curitiba, onde está preso.

Macena,que foi tesoureiro da campanha de Haddad à Prefeitura de São Paulo em 2012, substitui o ex-ministro Ricardo Berzoini, que pediu para se afastar do cargo a fim de concluir a prestação de contas da campanha de Lula, que durou menos de um mês, já que o registro da candidatura foi formalizado no dia 15 de agosto. Segundo uma fonte da coordenação, a mudança foi acertada consensualmente entre Berzoini, o candidato e o coordenador-geral da campanha, Sergio Gabrielli. Berzoini sai da tesouraria, mas continua na coordenação.

Emídio é um petista orgânico, muito ligado a Lula, mas que ganhou a confiança de Haddad nos últimos meses, tendo ficado ao seu lado durante o conturbado processo de escolha do vice, e depois para que o ex-prefeito se viabilizasse para assumir a cabeça de chapa.

Emídio viajou com Haddad para Curitiba e em várias agendas pelo país. Ontem eles estavam em campanha de rua em Osasco, cidade que foi governada pelo novo conselheiro (ver abaixo). A entrada dele no time oficial da campanha é uma escolha de Haddad, mas que tem o aval de Lula por trás.

Já o ex-vereador Chico Macena é um dos petistas mais próximos a Haddad e tem uma longa trajetória no partido. Antes de assumir a Secretaria de Governo na gestão Haddad, foi subsecretário de Coordenação das Subprefeitura, onde fazia a interlocução com os vereadores. Na gestão de Marta Suplicy foi presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Macena, no entanto, é réu, juntamente com o candidato, em ação penal eleitoral que tramita na 1ª Zona Eleitoral de São Paulo. Denúncia oferecida em maio pela promotoria eleitoral de São Paulo atribui a Haddad e a Macena suposto caixa dois de R$ 2,6 milhões pagos pela UTC Engenharia na campanha eleitoral de 2012. Macena, no entanto, não é alvo da denúncia na esfera criminal, nem da proposta de abertura de ação civil por improbidade que foram embasadas nas mesmas provas da ação eleitoral.

Na Justiça Eleitoral, o promotor Luiz Henrique Dal Poz alega que o cruzamento de delações da Lava-Jato com planilhas encontradas em ações de busca da Operação Custo Brasil permitiu demonstrar a criação de "uma estrutura paralela do PT para financiamento de campanhas em 2012, que teve Fernando Haddad como um dos beneficiários".

Em nota enviada por sua assessoria, Haddad ressalta que informa que o delator Ricardo Pessoa, da UTC, teve arquivadas mais de oito ações provocadas por suas delações. Alega que essa denúncia "é um ato de vingança pelo fato do então prefeito de São Paulo ter cancelado a principal obra da UTC na cidade, o túnel da avenida Roberto Marinho, que apontava indícios de superfaturamento".

Na mesma nota, Haddad lamenta que os promotores tenham apresentado denúncias criminais e de improbidade administrativa, sem prova, há um mês da eleição. "O comportamento de cada um dos promotores envolvidos, conforme a própria imprensa noticiou, será alvo de uma investigação do Conselho Nacional do Ministério Público", conclui.