Luiz Fernando Mirault Pinto: "Uma mera coincidênciaCabral após 1500 anos"

Publicado em 14/11/2017 por Correio do Estado

Para algumas pessoas a corrupção data do descobrimento. Afirmam que a colonização envolvendo degredados (cultura do ensino médio) foi a responsável pela introdução das praticas pouco elogiosas oriundas dos maus antecedentes; a difusão da corrupção deu-se a partir do Brasil-Colônia por falta de fiscalização da distante Coroa Portuguesa e dos hábitos de cultivar benesses e nepotismo na manutenção do poder. Uma nova historia, no entanto dá conta que a cultura estrangeira foi rapidamente envolvida pela nativa, a Tupi, da qual fazemos queiramos ou não, parte.

Resultado de campanhas de desinformação se diz que se trata de uma exclusividade brasileira, atribuída a um governo específico e com responsabilidade de uma pessoa. Na verdade é mundial, presente nas classes sociais ou atividades econômicas diversas representativas de poder, praticada por sujeito indeterminado. Toda conquista civilizatória, descobrimento ou colonização envolveu nobres, militares, aventureiros, mercenários e famílias em busca de um novo mundo, e não apenas de desterrados ou apátridas!

Aos exploradores cabia a missão de dominar, dizimando as sociedades ameríndias ou aborígenes pelo extermínio, pelas doenças, pela catequização impondo suas culturas, com a natural miscigenação das raças diluindo as características predominantes dando origem entre nós, segundo a narrativa brasileira a pratica do mal feito que se traduz pela "cultura do jeitinho", pelos hábitos de cultivar benesses e nepotismo, de "se levar vantagem em tudo", pelo "complexo de vira-lata" enraizado e que os desprovidos se vendem por quinquilharias miçangas e espelhos. 

O estudo da corrupção como mal do século é um fenômeno atual e global resultado da facilidade e rapidez das informações, da capacidade de organização das pessoas, e do interesse em controlar seus destinos frente aos desmandos característicos e frequentes dos gestores das políticas públicas inadequadas.

Entre nós o fenômeno do "desvirtuamento ético", recebido com surpresas como se a população tivesse sobrevivido desde Cabral sob uma redoma num misto de ignorância, ingenuidade, puritanismo, e hipocrisia apesar das conhecidas intenções planejadas do navegador. Noticias sobre desvios de dinheiro, de compra de votos, de aliados políticos, da malversação de fundos datam da antiguidade, e se caracterizam pelo lucro de uns e prejuízo de outros. 

A prática nociva e deletéria depõe contra a ética e a honestidade devendo ser punida (exemplarmente), sem que, no entanto confundamos justiça com vingança, este sentimento de justiça primitivo que ecoa em alguns setores sociais, enquanto a justiça trata da reabilitação e ressocialização do indivíduo recriminando atitudes como a vindita ou desforra, que nos coloca ao nível dos malfazejos, negando-lhes remissão e arrependimento sobre mal praticado.

Sem exceção foram atingidos pela sensação de poder, de impunidade, ganancia, competição, e falta de virtudes morais. O dinheiro, as posses, o patrimônio se trata apenas do resultado e, portanto a maior justiça seria o arresto dos bens (todos) e das reservas financeiras (sem exceção), tirando dos corruptos as oportunidades de riqueza. Ainda assim caberia ao estado ao invés de mantê-los resguardados, condená-los a viver em comunidades populares, prestando serviços sociais, lutando pela subsistência, e diferenciados por uniformes vistosos.

Imaginemos Petro-diretores carregando botijões de gás no lombo, senador usando um Armani, mas de "chinelos de dedo", um ex-diretor esportivo de camiseta das olimpíadas passadas e sandálias verde-amarelas; mais divertido, didático e menos vingativo seria manter um ex-governador e esposa convivendo com aqueles que lhes depositaram confiança e credito em troca de agruras e dificuldades, ele com uma uniforme laranja de escola do município falido e ela curtindo uma laje, com brincos de bijuterias, do que condená-los a 1500 anos, além dos 45 anos já consagrados.