Mais de 90% dos deputados alvo da Lava Jato vão concorrer

Publicado em 16/05/2018 por Jornal do Comércio - RS

Dos 55 deputados federais alvo de inquéritos e ações penais na Operação Lava Jato, 50 - o equivalente a 91% do total - vão disputar as eleições deste ano, de acordo com levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo.
A maior parte dos parlamentares (42) disse que disputará a reeleição; quatro pretendem concorrer a uma vaga no Senado; dois a governos estaduais; um ao Legislativo estadual; e um ao Planalto. Três deputados não responderam ou estão indecisos. Apenas dois disseram que não vão ser candidatos.
Se eleitos para o Congresso, eles mantêm foro privilegiado para serem investigados e julgados em casos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Com o novo entendimento firmado pelo STF, no entanto, o foro para parlamentares federais só vale para crimes praticados no mandato e em função do exercício do cargo.
Para o doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB) Leonardo Barreto, a mudança no entendimento do STF a respeito do foro traz mais celeridade no julgamento de crimes de corrupção. Ele citou o mensalão, que levou cinco anos para começar a ser julgado. "Antes dessa decisão do STF, o foro era entendido como uma coisa boa para todo mundo. O Supremo não tinha capacidade para julgar, isso dava uma sensação de segurança (aos investigados) muito boa", afirmou Barreto.
Desde a mudança de entendimento do STF, no início deste mês, ao menos 68 casos envolvendo deputados e senadores já foram enviados pela corte para outras instâncias da Justiça.
O líder do PSDB na Câmara, Nilson Leitão, criticou o que chamou de "indústria das denúncias" e disse que a sigla não antecipa condenações sobre parlamentares investigados do partido. Questionado sobre pré-candidatos petistas investigados na operação, o líder do partido na Câmara, deputado federal gaúcho Paulo Pimenta, afirmou que, "só em um Estado policial, investigado é tratado como culpado".
Dos 50 deputados que pretendem disputar o pleito neste ano, 12 são filiados ao PP e outros 12, ao PT. Na sequência, aparecem seis do PSDB, quatro do DEM e demais.