Marcada pela união entre as Coreias, cerimônia abre Jogos de Inverno

Publicado em 09/02/2018 por O Globo

Atletas do Norte e do Sul carregam a bandeira unificada - Jae C. Hong / AP

Os cerca de 35 mil presentes no Estádio Olímpico de Pyeongchang, nesta sexta-feira, presenciaram e aplaudiram um momento histórico: as delegações das Coreias do Sul e do Norte, que tecnicamente vivem em guerra, desfilaram juntas na cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno. O atleta do hóquei do gelo Chung Gum, do norte, e Yunjong Won, do bobsled e nascido no sul, carregaram a mesma bandeira, da península unificada desenhada em azul sobre o fundo branco.

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O gesto repleto de simbolismo representou mais um passo na reaproximação entre as Coreias impulsionada pelos Jogos. Antes da cerimônia, a irmã do ditador do Norte Kim Jong-Un, Kim Yo-Jong, foi cumprimentada pelo presidente do Sul, Moon Jae-in. Em Pyeongchang, os dois países estão unidos na disputa do hóquei feminino, uma vez que 10 atletas do Norte reforçam a equipe do Sul.

Também houve colaboração para a apresentação artística que abriu a festa, com exaltação da cultura e da natureza locais e participação de atores e atletas sul e norte-coreanos. Logo depois de o presidente do Sul, Moon Jae-in, declarar oficialmente abertos os Jogos, o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, classificou a união da península como uma mensagem de paz ao mundo.

Edson Bindilatti comanda a delegação brasileira - SEAN M. HAFFEY / REUTERS

A cerimônia também teve espaço para descontração. O tonganês Pita Taufatofua, que ganhou fama por desfilar com o corpo besuntado no Rio-2016, repetiu o gesto em Pyeongchang. Nem a temperatura negativa fez com o que o musculoso abrisse mão de desfilar sem camisa. Taufatofua se tornou um dos poucos atletas a disputar Jogos de verão e inverno de forma consecutiva. No Rio, ele competiu no taekwando. Na Coreia, tentará uma medalha no esqui cross country.

A tímida delegação brasileira, que conta com apenas dez atletas (sendo um reserva), marcou presença. O atleta do bobsled Edson Bindilatti foi o porta-bandeira.

A vocação sul-coreana para a tecnologia mostrou seu lado mais forte quando drones formaram um atleta de snowboard e, depois, transformaram-se em anéis olímpicos. O aguardado momento de acendimento da pira foi o capítulo final de uma festa marcada pela união. Duas representantes do time de hóquei no gelo, uma do Sul e outra do Norte, subiram juntas a rampa do Estádio Olímpico. A campeã olímpica na patinação artística, em 2010, Yuna Kim acendeu a pira.

Pita Taufatofua carrega a bandeira de Tonga - Sean Haffey / AP

A pira olímpica acesa no Estádio Olímpico - Sean Haffey / AP