Modelo da intervenção federal na segurança do Rio, Vila Kennedy volta a sofrer com violência

Publicado em 16/04/2018 por O Globo

RIO - Escolhida para ser modelo da intervenção federal na segurança do Rio, a Vila Kennedy, na Zona Oeste da capital, volta a sofrer com a influência do tráfico de drogas. Moradores do local denunciam que bandidos armados circulam pelas ruas à noite. De acordo com eles, neste domingo uma escola municipal foi invadida e, no mural de uma das salas reviradas, criminosos deixaram a pichação: CV, numa alusão à facção Comando Vermelho. Além disso, ainda segundo os relatos, a fachada de um Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) ao lado da unidade foi depredada.

- Na sexta-feira, um caveirão (veículo blindado da PM) foi atacado a tiros. O medo entre quem vive aqui impera novamente. O slogan deles (traficantes) é: o Exérxito vai embora e nós vamos voltar - disse um dos moradores ouvidos pelo EXTRA.

Desde o fim de fevereiro deste ano, as Forças Armadas começaram uma série de operações diárias na Vila Kennedy. Atualmente, de acordo com a assessoria de imprensa do Comando Militar do Leste (CML), os patrulhamentos das tropas federais "permanecem, em apoio à Polícia Militar, durante o dia e em parte da noite".

Apesar disso, de acordo com os moradores, é possível ver bandidos circulando pela Avenida Etópia - na calçada do Rio das Sardinhas, onde há mais de 50 construções irregulares -, na Avenida Marrocos, Avenida Central e na Praça da Paz.

- Enquanto isso, os PMs ficam na Praça Miami. Tem até bandidos de tornozeleira vendendo drogas. E, nos fins de semana, tem baile funk também. A coisa começou a ficar tensa e população está com medo novamente - contou outro morador.

Para ele, o fato de muitas das ruas da comunidade terem trecho às escuras, pois as lâmpadas dos postes estão queimadas, facilita a movimentação dos criminosos:

- Já houve promessas da Rioluz vir aqui para trocar essas lâmpadas. Mas até hoje nada. E nós continuamos vivendo desse jeito.

A assessoria de imprensa da Secretaria municipal de Educação foi procurada para comentar denúncia de que uma escola e um EDI foram invadidos, mas não se pronunciou a respeito.

A Rioluz também foi procurada para comentar a denúncia dos postes com lâmpadas quebradas, mas não havia enviado uma posição até as 11h.

PMS PASSAM POR RECICLAGEM

O Gabinete de Intervenção Federal iniciou, na semana passada, um curso de reciclagem para agentes. A primeira turma composta por 20 policiais do 14° BPM (Bangu) - unidade responsável pelo patrulhamento na Vila Kennedy.

- Começamos com a polícia do 14º BPM porque é o batalhão que faz o patrulhamento na Vila Kennedy, comunidade que escolhemos como modelo (para a intervenção). Esta é a terceira fase de ações combinadas com os comandos da PM, da Polícia Civil, dos Bombeiros e da Secretaria de Administração Penitenciária dentro da intervenção federal na segurança do Rio. A primeira foi composta de reuniões com os comandos para identificar as necessidades de cada unidade. E a segunda, por vistorias nos batalhões e delegacias - disse, na ocasião, o coronel Roberto Itamar, chefe da assessoria de Imprensa do Comando Militar do Leste.