Museu do Açude recupera estrutura do painel de azulejos

Publicado em 06/12/2017 por O Globo

>Restauração.>Stefani da Silva trabalha num dos painéis da fundaçã - Brenno Carvalho / Agência O Globo

RIO - A direção do Museu do Açude acaba de contratar profissionais especializados em restauração para recuperar alguns dos painéis de azulejos da instituição que vêm sofrendo envelhecimento precoce. No começo do ano, funcionários do museu estavam higienizando os painéis externos com sabão neutro quando alguns pedaços do vidrado começaram a se soltar. Sete estruturas apresentam problemas e estão mais comprometidas.

- Há uma infestação biológica proporcionada pela alta umidade que se instala atrás do vidrado, provocando esse descolamento - explica a restauradora Stefani da Silva, que foi contratada pela Associação de Amigos dos Museus Castro Maya, responsável pelo financiamento do trabalho de restauro.

Em 2015, Stefani participou, pela empresa RestQua História e Cultura Preservadas, da restauração de bancos e fontes ornadas por azulejos portugueses no Museu do Açude. Na ocasião, o serviço foi financiado pela União, já que o espaço pertence ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Sem o apoio público desta vez, o Museu do Açude só terá verba disponível para a primeira fase dos serviços de restauro. Neste primeiro momento, o foco é na parte estrutural dos painéis, apenas para impedir que o processo de degradação continue. A instituição busca patrocínio para financiar a segunda fase do trabalho, que compreende a parte estética dos painéis.

Amante fervoroso de todas as formas de arte, o empresário, mecenas e colecionador Raymundo Ottoni de Castro Maya (1894-1968) juntou, durante toda a sua vida, obras que hoje estão disponíveis para a apreciação do público no Museu do Açude, sua antiga residência de veraneio. Entre as relíquias há estátuas, esculturas, porcelanas asiáticas e itens pessoais de Maya, além de vários painéis de azulejos portugueses, encomendados por ele em 1940, e enviados diretamente de Lisboa em um lote contendo mais de três mil peças.

Devido à sua localização ímpar, encravado no meio da Floresta da Tijuca, o museu conta com algumas peculiaridades. Entre elas, a de estar sujeito a intempéries da natureza, tais como forte neblina, ventos, chuvas e umidade. E são exatamente esses fatores, principalmente a umidade, que causam danos aos painéis da parte externa, naturalmente deteriorados ao longo do tempo.