Operação Oss

Publicado em 13/10/2017 por Jornal O Estado do Ceará

Era preciso conter o prestígio da URSS no mundo, após a decisiva vitória da batalha de Stalinigrado, contra o Reich Nazista. Punha, sob alerta, a hegemonia dos EUA na América Latina e no Caribe, chegando a incomodar a própria classe média desse país.
Deduziu-se, desde Washington, pelo convencimento de seu povo e aliados, de que se estava diante de um inimigo comum, obscurantista, agressivo e desumano, o comunismo. Esta foi a razão pela qual criaram a Oficina de Serviços Estratégicos (OSS), entregue ao general William Donovam para gerenciá-la. Uma das primeiras iniciativas foi o recrutamento de criminosos de guerra, para atuarem como colaboradores privilegiados e de confiança nas operações secretas, especialmente através da cultura. Visava impor uma mentalidade dissuasiva entre as grades populacionais das nações.

A fim de se obter maiores resultados, a sigla foi substituída pela CIA (Central de Inteligência), de que conhecemos como cérebro de ditaduras militares e intervenção nos países latino-americanos, a exemplo do nosso. Como braço direito estabeleceu-se no Panamá, em 1946, a Escola das Américas, para formação de oficiais das forças armadas e policias militares, sob várias especialidades.
A realidade era bem outra, os ensinos se voltavam para práticas de inteligência militar e torturas. Com a volta das democracias surgiram governos populistas. O Brasil sedia a nova experiência doutrinária, disponibilizando-se a escola jurídica, dentro da Universidade de Harward, onde a especialização de magistrados e advogados, oferecendo currículos específicos. Lá estudaram bilionários presidentes estadunidenses. Entre os brasileiros, o juiz Sérgio Moro.

Novo inimigo descoberto pelo Deptº de Estado, lavagem de dinheiro e corrução; instrumentalizam-se métodos de combate, convidando para colaborarem nessa montagem, de efeitos históricos da antiga OSS, elementos humanos subtraídos da classe civil, com presumíveis atividades ilícitas, prometendo-lhes vantagens premiadas. Conectadas com Golpes Parlamentares/Judiciários fazem nascer a Lava-Jato, sob apanágio de limpeza moral, mas no fundo são meros instrutores da doutrina imperialista norte-americana, expressa no "destino manifesto". Se não há torturas físicas a materialidade de seus atos expõe à execração pública, através da mídia, igualmente corrompida, uma clientela seletiva, composta de supostos delitos.

Vilã ou heroica a força tarefa do Ministério Público Federal não alcançou o prêmio Allard, recentemente promovido pela University of British do Canadá. Foi entregue à jorn. do Azerbajão, Khadi Ismayilova, por um trabalho mais atuante e limpo que o de nossos candidatos da Lava-Jato, que já se declina.

Inocêncio Nóbrega
Jornalista