Polícia russa prende 1.500 pessoas em protestos contra Putin

Publicado em 12/06/2018 por O Globo

Polícia detém manifestantes em São Petesburgo - Dmitri Lovetsky / AP

MOSCOU - O opositor russo Alexei Navalny e quase mil de seus partidários foram detidos nesta segunda-feira antes do início de um protesto anticorrupção não autorizado no centro de Moscou, num dia de mobilizações em todo o país. A ONG russa OVD-Info informou que contabilizou ao menos 730 detidos em Moscou e 500 em São Petersburgo, além de dezensa em outras cidades somadas, como Vladivostok (extremo-oriente), Norilsk (norte), e Sochi (sul).

Navalny foi sentenciado a 30 dias na prisão por ter organizado o protesto. Após uma mobilização que teve uma grande adesão em 26 de março, milhares de russos, incluindo muitos jovens, foram às ruas em dezenas de cidades, incluindo perto do Kremlin em Moscou, onde a tropa de choque tentava dispersar a multidão. A multidão gritava: "Rússia sem Putin!" e "Liberdade para Navalny!"

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- Putin está no poder há 17 anos e não pensa em partir - denunciou Alexandre Tiurin, 41 anos, durante o protesto na rua Tverskaïa, que vai até o Kremlin. - Ele usurpou o poder, não existe sociedade civil no país, os tribunais não funcionam, a corrupção se transformou em sistema.

Alexei Navalny, que pretende disputar contra Vladimir Putin a presidência russa na eleição de março de 2018, foi detido quando saía de casa, informou sua esposa no Twitter.

"Olá, sou Yulia Navalnaya. Alexei foi detido na entrada do prédio. Pediu que informasse que nossos planos não mudaram: Tverskaya", escreveu, uma referência à rua do centro de Moscou onde está prevista a manifestação.

A polícia confirmou que deteve o opositor, que será apresentado a um juiz por violar as regras de organização de manifestações e por se recusar a obedecer as forças de ordem. Segundo seu advogado Vadim Kobzev, ele corre o risco de ser condenado a 30 dias de detenção administrativa.

O blogueiro, cujos vídeos investigativos compartilhados nas redes sociais denunciam a corrupção das elites e oligarcas, convocou protestos em toda a Rússia para esta segunda-feira, feriado, quando o país comemora a sua independência em 1990 antes da queda da União Soviética.

ALTERNÂNCIA

Em Moscou, a concentração prevista para as 11h (horário local, 8h em Brasília) foi autorizada ao nordeste da cidade, mas Alexei Navalny decidiu, poucas horas antes, transferir o protesto para a avenida Tverskaya, onde estavam previstas várias atividades relacionadas com o feriado.

De acordo com o opositor, a prefeitura de Moscou tentou impedir que todos os fornecedores da cidade alugassem um palanque e equipamentos de som para sua equipe.

No momento do início dos atos, Vladimir Putin entregava a estudantes no Kremlin suas carteiras de identidade.

Nos arredores do palácio presidencial, os jovens, incluindo muitos menores de idade, eram numerosos na manifestação.

- Queremos uma alternância como em todos os países normais (...) Queremos uma resposta por parte das autoridades - disse Yegor, de 16 anos, que carregava um cartaz: "A corrupção rouba o futuro", e dizia estar preparado para uma possível prisão.

- Em qualquer país, não há necessidade de uma oposição para controlar os atos de poder - insistiu Arseni, outro estudante do ensino médio de 16 anos.

Polícia prende quase mil manifestantes na Rússia

  • Jovem que protestava é detido pela polícia durante uma manifestação no centro de Moscou, na Rússia. As forças de segurança russas prenderam quase mil pessoas em protestos contra o presidente Vladimir PutinFoto: Alexander Zemlianichenko / AP

  • Polícia detém um manifestante em Moscou. Multidão foi às ruas mostrar indignação com a corrupção entre as autoridades do país e pedem alternância no poderFoto: Evgeny Feldman / AP

  • Manifestantes formam uma cadeia humana durante um protesto contra a corrupção em São Petersburgo, na Rússia. Cerca de 300 pessoas foram detidas na cidade Foto: Dmitri Lovetsky / AP

  • Agentes da Guarda Nacional Russa empurram pessoas para as calçadas durante um protesto contra a corrupção organizado pelo líder da oposição Alexei Navalny, no centro de Moscou. Navalny e cerca de 600 pessoas foram detidos na capital do país Foto: MAXIM SHEMETOV / REUTERS

  • Manifestante tira fotos da política durante protesto no centro de Moscou. Milhares de russos foram às ruas em dezenas de cidades, incluindo perto do Kremlin em Moscou, onde a tropa de choque tentava dispersar a multidão Foto: MLADEN ANTONOV / AFP

  • Polícia bloqueia manifestantes durante um protesto no centro de Moscou, na Rússia. Multidão gritava: "Rússia sem Putin!" e "Liberdade para Navalny!"Foto: Alexander Zemlianichenko / AP

  • Uma mulher segura um pôster com a foto do presidente russo, Vladimir Putin, durante um protesto no centro de São PetersburgoFoto: OLGA MALTSEVA / AFP

  • Polícia russa detém um manifestante em um protesto da oposição no centro de Moscou. Alexei Navalny, que pretende disputar contra Vladimir Putin a presidência russa na eleição de março de 2018, foi detido quando saía de casa, informou sua esposa no TwitterFoto: STR / AFP

  • Policiais bloqueiam passagem de manifestantes durante protesto no centro de Moscou. Esta segunda-feira é feriado na Rússia, dia em que o país comemora a sua independência em 1990 antes da queda da União SoviéticaFoto: MLADEN ANTONOV / AFP

  • Pessoas participam de protesto contra a corrupção em São Petersburgo, na RússiaFoto: Dmitri Lovetsky / AP

  • Manifestantes gritam durante um protesto contra a corrupção no centro de São Petersburgo, na RússiaFoto: ANTON VAGANOV / REUTERS

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O opositor número 1 do Kremlin surpreendeu em 26 de março ao levar às ruas dezenas de milhares de pessoas, incluindo muitos jovens que conheceram apenas Putin no poder, em toda a Rússia. Esta mobilização, de escala sem precedentes em vários anos, aconteceu após a publicação pela equipe de Navalny de um vídeo acusando o primeiro-ministro Dmitri Medvedev de liderar um império imobiliário financiado pelos oligarcas.

Na ocasião, a polícia prendeu mais de 1.000 pessoas, incluindo Navalny, que passou 15 dias na prisão. Desde então, sete pessoas foram colocadas em prisão preventiva por violência contra a polícia. Dois foram condenados a penas de prisão.

Antes das manifestações desta segunda-feira, a equipe de Alexeï Navalny e a ONG Human Rights Watch denunciaram a pressão por parte das universidades e escolas para dissuadir os jovens a protestar, por vezes com ameaças de expulsão.

No final de maio, a presidente do Senado Valentina Matvienko indicou que o Parlamento estava considerando proibir menores de idade de participar em manifestações não autorizadas, sob pena de sanções para os pais.

CASA BRANCA PROTESTA

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, pediu ao governo da Rússia para libertar imediatamente todos os manifestantes pacíficos.

- O povo russo merece um governo que apoie as ideias de livre mercado, um governo transparente e responsável, tratamento igualitário sob a lei e capacidade de exercer seus direitos sem medo de represálias - disse Spicer.