Prefeitura preenche só 27% das vagas de médico nos postos de Campo Grande

Publicado em 08/11/2018 por Correio do Estado

SAÚDE

Prefeitura preenche só 27% das vagas de médico nos postos de Campo Grande

Secretário Marcelo Vilela apresentou estatísticas da pasta na Câmara

Em levantamento apresentado à Câmara Municipal, o secretário de Saúde de Campo Grande, Marcelo Vilela, informou que a administração pública não consegue preencher nem 30% das vagas de médico nas unidades de saúde. Discussão se iniciou após vereador Valdir Gomes (PP) visitar Unidade Básica de Saúde (UBS) do Aero Rancho e constatar falta de profissionais.

Vilela não falou com a imprensa em sua saída da Câmara alegando estar atrasado para um novo compromisso, mas durante sua apresentação aos vereadores o secretário informou que neste ano apenas 27% das vagas de médicos foram preenchidas. O índice é ainda menor que o do ano passado, quando 32% das vagas disponíveis foram ocupadas pelos profissionais de saúde.

Com os números, Vilela afirmou que o problema não é falta de dinheiro ou ter um salário atrativo e bom para os médicos. A questão é que a prefeitura não consegue preencher as vagas de forma alguma.

"Pela fala do secretário, falta disposição em encarar o problema. A Saúde sempre foi e sempre será um gargalo. Tem demanda e poucos profissionais, apesar do salário do plantão ser praticamente o mesmo do plantão para hospitais particulares", disse o vereador Eduardo Romero (Rede).

Já o vereador Valdir Gomes disse que mesmo após a visita do secretário de Saúde, expondo os números atuais da pasta, o assunto ainda deve ter novo debate. "A situação não está resolvida. Os médicos não querem o salário que a prefeitura paga. Não estou satisfeito com o que o secretário apresentou. Quero uma solução. A conversa não vai parar por ai", afirmou.

Presidente da Comissão de Saúde da Câmara, vereador Dr. Loester (MDB), afirmou que o problema da Saúde na Capital não é apenas dos médicos. "Não está faltando só o médico, mas sim um conjunto de profissionais que dão assistência. A estrutura completa acaba recaindo sobre o médico. O mais importante também são os planos de cargos e carreira. Se a saúde não mudar, o atual prefeito vai sofrer as consequências lá na frente e não vai se reeleger. Ele não está olhando para esse problema. Não tem boa vontade para resolver a questão da saúde", relatou.

Outro médico da Casa de Leis, o vereador Dr. Wilson Sami (MDB) citou o próprio exemplo de que é funcionário da prefeitura há quase três décadas e teve apenas um aumento de salário até hoje. "Precisa sentar e conversar mais com o prefeito. Se não tem médico, é porque o salário não é atrativo. Necessita de plano de cargos e carreiras. Atualmente o salário para quem entra na prefeitura R$ 3,9 mil. Estou há 29 anos na prefeitura e só recebi um aumento para R$ 4,8 mil. Além desses atrativos financeiros, falta comodidade no plantão em que dormimos em beliches, não tem alimentação", detalhou.