PT quer evitar isolamento político e atrair PSB para aliança no Congresso

Publicado em 03/12/2018 por Valor Online

PT quer evitar isolamento político e atrair PSB para aliança no Congresso

O PT trabalha para romper o isolamento que Ciro Gomes (PDT), em articulação com outras siglas, está tentando impor à legenda. Em uma quase repetição do que ocorreu no processo eleitoral, o objetivo número um é tirar o PSB da órbita dos irmãos Ferreira Gomes. Ao mesmo tempo, os petistas querem diálogo com o PDT, tendo como interlocutor o presidente da sigla, Carlos Lupi, para tentar por um freio na ira de Ciro - que não perdoa o PT por ter atuado para desidratar sua candidatura à Presidência.

No PSB, o principal interlocutor tem sido Paulo Câmara, o governador de Pernambuco que foi o principal pivô da discórdia dos petistas com o grupo de Ciro. O PT retirou a candidatura de Marília Arraes para deixar o caminho livre para a reeleição de Câmara. Em troca, o PSB, fechado com Ciro, declarou neutralidade na corrida presidencial.

Presidente nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PR), e o líder da oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), se reuniram com Câmara há duas semanas. Gleisi e Humberto também vêm falando com o presidente do PSB, Carlos Siqueira, e devem se encontrar mais uma vez amanhã.

Siqueira, porém, tem se mostrado pessimista quanto à possibilidade de compor com o PT desta vez. "Isso tem alguma dificuldade que não sei se será superada porque parte da bancada acha melhor que a frente seja sem o PT", afirmou. "O fato concreto é que há uma certa resistência de integrar o PT ao bloco [de oposição]."

Também procurado por Gleisi, Lupi afirma que "a ideia não é isolar o PT". "O que está sendo formado não é nada contra PT", diz, em tom muito mais ameno do que o usado por Ciro. "Não queremos ficar sob hegemonia do PT. Mas nada impede de votarmos juntos em matérias sobre as quais temos uma posição comum."

Na Câmara dos Deputados, as articulações para a frente são lideradas por PSB, PDT e PCdoB. Paulinho da Força, um dos líderes do Solidariedade, também manifestou interesse em participar. No Senado, Cid Gomes (PDT-CE), irmão de Ciro e que se elegeu para a próxima legislatura, conversa com Randolfe Rodrigues (Rede-AP), reeleito, e com senadores de PSB, PPS e PSB.

Um dos petistas mais próximos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro Gilberto Carvalho acredita que para o PT, mais importante do que compor esse bloco, é formar uma "frente democrática de resistência ao governo Bolsonaro". "Por problemas do passado, eles estão com reservas em relação a nós. A gente procura entender os problemas, mas não vamos deixar de buscar unidade", disse.

Enquanto tenta sair do isolamento político, o diretório nacional do PT decidiu buscar apoio nas ruas e em movimentos sociais para fazer oposição ao governo Bolsonaro. A sigla se reuniu sexta-feira e sábado em Brasília para uma avaliação do resultado eleitoral. Embora os primeiros esboços do documento fizessem uma autocrítica sobre algumas das razões da derrota, como a política econômica do governo Dilma, o texto final excluiu esses trechos. "Não faremos autocrítica para a mídia e nem para a direita do país", disse Gleisi.