Temer apresenta dados parciais e ignora denúncias

Publicado em 16/05/2018 por Jornal do Comércio - RS

O balanço preparado pelo presidente Michel Temer (PMDB) para comemorar dois anos à frente do Palácio do Planalto apresenta parcialmente dados oficiais e ignora os escândalos de corrupção que envolvem o peemedebista e aliados.
A cartilha foi preparada para comemorar os dois anos desde que Dilma Rousseff (PT) foi afastada, durante o processo de impeachment. Ontem à tarde, o presidente fez uma cerimônia para lembrar a data.
Com o título "Avançamos - 2 anos de vitórias na vida de cada brasileiro", o documento traz, em suas 32 páginas, as ações feitas pelo governo, especialmente as da área econômica. Entre elas, a redução da taxa básica de juros, hoje em 6,5%, e a queda da inflação em 12 meses, que chegou a 2,68%. Ele lembra que foram concedidos dois aumentos ao Bolsa Família, apesar de o programa social não ter sido reajustado em 2017.
No período, o presidente foi alvo de duas denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) e é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF), suspeito de irregularidades em decreto sobre portos.
Além disso, desde que chegou ao cargo, ele já perdeu três ministros por suspeitas de irregularidades e possui auxiliares citados em delações premiadas no rastro das apurações da Polícia Federal.
Em versão anterior do texto, distribuída apenas para lideranças do Congresso, havia destaque para o combate à corrupção, sem citar a Lava Jato. Essa parte foi suprimida da versão impressa que foi distribuída no evento.
Nas páginas internas do balanço, é usado o slogan "Maio/2016-Maio/2018 - O Brasil voltou", mesmo nome do evento que foi realizado nesta terça-feira. Inicialmente, o governo havia escolhido o lema "O Brasil voltou, 20 anos em 2", uma referência ao programa de governo do ex-presidente Juscelino Kubitschek - 50 anos em 5 -, que propunha uma política de governo desenvolvimentista. A interpretação ambígua do mote, em caso de omissão da vírgula, fez com que o Planalto reduzisse a frase.
Outra medida positiva citada é a aprovação do teto de gastos públicos, que injetou R$ 44 bilhões na economia e beneficiou quase 26 milhões de pessoas. "Isso só foi possível graças à nova política econômica implantada a partir de maio de 2016", observa.
O governo menciona também a privatização da Eletrobras. Um projeto sobre o assunto foi encaminhado pelo Executivo ao Congresso em janeiro, mas está paralisado na Câmara, com dificuldade de obter apoio mínimo necessário para aprovação.