Venda de calçados para China cresce 135%

Publicado em 07/12/2017 por Jornal do Comércio - RS

As vendas de calçados brasileiros para os chineses cresceram 135% de janeiro a novembro em volume, chegando a 1,16 milhão de pares. A receita avançou 133,3% no mesmo período e aportou em US$ 9,3 milhões. Somente em novembro, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a exportação somou US$ 2 milhões, ou seja, um quinto de tudo o que as fabricantes faturaram em 11 meses para o destino, além de ter ficado 601% acima do mesmo mês de 2016.
Todos esses números, divulgados ontem pela associação, ajudam a reforçar o potencial desse destino e as mudanças que começam a surgir na estratégia para ganhar mais espaço. No ano passado, por exemplo, o Brasil registrou US$ 6 milhões, enquanto o mundo todo vendeu para os chineses
US$ 3,1 bilhões. O que chama a atenção, ainda, é que o desempenho do mercado do país asiático descola do desempenho deste ano do conjunto das exportações da indústria do setor, que somaram US$ 973,6 milhões, alta de 12%, e 109,9 milhões de pares, avanço de 2,1%.
Recente viagem técnica da Abicalçados e ApexBrasil, dentro do programa Brazilian Footwear, para regiões da China apurou que presença em feiras, foco de muitas missões e inserção em mercados, ou ter operações locais, pode não ser o melhor caminho para ampliar as vendas. Um bom motivo para acertar a tática é o fato que um quarto do consumo mundial de calçados é chinês, no qual o volume cresceu 24,6% em 2016 e 7,7% na receita no ano passado. "O mundo todo está na China", adverte a coordenadora de promoção comercial da Abicalçados, Letícia Sperb Masselli, que foi ao país e confessa ter ficado surpresa com o que viu ao mergulhar na cultura local para consumir produtos. "Há uma mudança forte para o meio digital. O e-commerce é uma tendência neste setor", adverte Letícia.
Prova disso foi o último Single Day (Dia dos Solteiros), que é a principal data promocional local. Pode-se comparar ao que a Black Friday significa em mercados como o norte-americano e agora com a ascensão  no Brasil. O Single Day, que é sempre em 11 de novembro, teve alta de 39% no faturamento, ou 256 mil vendas por segundo e 90% do fluxo usando smartphone, lista a coordenadora da Abicalçados. Letícia viu no desempenho das exportações brasileiras em novembro um possível efeito do Single Day. Outro detalhe é que a compra direta pelos consumidores de produtos do exterior por meio digital somou US$ 134,4 bilhões em 2016. A questão é como aproveitar este tipo de campanha, a migração exponencial de usuários para interfaces digitais e mobile para comprar e pagar, e como posicionar as marcas brasileiras nos chamados marketplaces, ambientes de e-commerce.
Quem usa estes canais são chineses que vivem no país. Há plataformas que só operam com venda de itens do exterior, seguindo regras do governo. São players gigantescos com sites como o Tmallglobal, ligado ao Alibaba, e o JD.com.
A coordenadora da Abicalçados diz que a ação envolve investimento em marketing - todas as plataformas cobram para mostrar os produtos - e no conhecimento de marca. O chinês, cita Letícia, usa a imagem do produto no site para buscar melhor preço. "A estratégia tem de conectar on-line e off-line, investir em influenciadores digitais e abrir lojas temporárias em cidades grandes para levar a experiência de Brasil e do nosso calçado aos chineses. A marca tem de ser conhecida", avisa.