Vivência internacional amplia oportunidades

Publicado em 13/11/2017 por Valor Online

Roberto Aylmer, professor da FDC: imersão em outra cultura abre portas Em 2012, Roberto Aylmer, consultor em gestão de pessoas e negociações complexas, apostou em uma formação na França e na China para desenvolver sua carreira no âmbito internacional. No início deste ano, após concluir seu doctor business administration pela Rennes School of Business, na França, em parceria com a Beijing University of Post and Telecommunications (BUPT), na China, Aylmer trouxe na bagagem experiências profissionais na China, onde atuou como especialista em choque geracional entre colaboradores. "A formação no exterior oferece elementos intangíveis que se destacam na trajetória de carreira. No doutorado, estudei o choque geracional na entrada de um colaborador numa organização. Embora eu já tivesse experiências internacionais dando aulas em países da Ásia e da Europa, a imersão na cultura da China e as visitas técnicas no país, como parte do doutorado, abriram portas para minha atuação como consultor", afirma Aylmer, professor na área internacional da Fundação Dom Cabral. A interação com diferentes culturas e a expansão da rede de relacionamentos estão entre os principais estímulos para brasileiros buscarem uma formação no exterior. Segundo Vanessa Lobato, vice-presidente de recursos humanos do Santander, profissionais que aperfeiçoam conhecimentos no exterior priorizam o contato com culturas diversas, além do interesse sobre o funcionamento de outros mercados. Vanessa diz que essa vivência acelera o desenvolvimento profissional. Irineu Gianesi, diretor de assuntos acadêmicos do Insper, destaca que o conteúdo dos cursos não difere muito em escolas no Brasil e no exterior. O diferencial está na vivência de outras culturas, o que representa um crescimento pessoal e oportunidades para acessar mercados internacionais. "Pelo testemunho dos nossos alunos, não há muita diferença entre o conteúdo acadêmico de boas escolas no Brasil e no exterior. O ganho é o corpo discente, multicultural, o que ainda não ocorre no Brasil. As escolas mais globalizadas também são alvo de recrutadores para os mercados europeu e americano". Segundo Gianesi, o Insper está desenvolvendo um curso, com foco profissional e dedicação integral, em stricto e lato sensu, para estimular uma diversidade no corpo discente. "A elaboração do curso envolve uma mudança cultural. A previsão é iniciar em 2019, queremos atrair alunos de países da América Latina", diz. André Leal, coordenador do MBA Executivo do Coppead/UFRJ, também enfatiza a troca de experiência em outras culturas como um dos fatores determinantes para a escolha de um curso no exterior. "As organizações se deparam no dia a dia com questões que envolvem outras culturas. Quando o profissional passa por essa vivência, ele é mais valorizado, ganha em maturidade e capacidade de gestão", explica. De acordo com Leal, há uma tendência de o aluno de MBA buscar programas mais curtos, de um ou duas semanas, em instituições de ponta. "Eles procuram cursos específicos e conhecimento do que ocorre fora do país para aplicar onde atuam", completa. Com relação à expectativa das organizações que financiam a formação de seus colaboradores no exterior, Vanessa Lobato diz que a maioria quer desenvolver competências específicas. Diferentemente do passado, quando havia um interesse maior pela formação generalista. "Por vezes estas instituições oferecem profundidade e especialização mais efetivas", diz. Investir na formação internacional de um colaborador pode ser ainda a senha para a escolha de profissionais mais aptos a assumir novas posições. "A empresa faz um investimento de longo prazo para inserir o profissional em um plano de sucessão. O profissional tem o desafio de valorizar esse conhecimento na implantação de um programa interno", afirma Gustavo Costa, sócio do Unique Group. Costa explica que, diferentemente do que ocorria no passado, as organizações desenvolvem métricas específicas para mensurar o retorno do investimento feito na formação do colaborador. "É preciso mostrar, na prática, como o curso foi importante para solucionar um problema na organização. Em cursos mais específicos, como nas áreas biomédica ou tecnológica, o colaborador passa a ser um multiplicador desse conhecimento", detalha.