“Estamos num momento em que o racismo não é mais permitido. Vamos rebater”

Publicado em 06/07/2018 por El País

Uma piada racista é apenas uma brincadeira ou revela como os negros são vistos no Brasil? A questão veio mais uma vez à tona no último sábado, quando o influenciador digital Júlio Cocielo indignou milhares de internautas ao postar em seu perfil no Twitter, que conta com quase 7,5 milhões de seguidores, que o jogador negro francês — e revelação da Copa do Mundo Rússia 2018 — Lylian Mbappé "conseguiria fazer uns arrastão top na praia". A mensagem foi apagada e o youtuber escreveu um pedido desculpas, em que afirmava ter se referido à velocidade do craque, mas o estrago já estava feito: mensagens racistas antigas tuitadas por ele foram recuperadas, e as empresas que o patrocinam foram questionadas nas redes sociais. O episódio fez a celebridade virtual perder patrocínios e mobilizou ativistas contra o influencer. Na segunda-feira foi a vez do também youtuber Spartakus Santiago se pronunciar. Ele publicou um vídeo como resposta, que teve até a tarde desta terça mais de 1,5 milhão de visualizações.

"Ele pensou em uma piada rápida quando viu o jogador correndo e associou a primeira coisa que veio na cabeça dele. E a imagem que veio de uma pessoa negra correndo foi a um arrastão. Esse é o tipo de associação que não acontece quando veem um jogador branco correr. Eu nunca vi um jogador branco ser associado a um ladrão porque está correndo rápido", explica Santiago ao EL PAÍS. "Nós [negros] somos associados com bandidos diariamente. Não tem como achar que isso é piada. Tem muitas coisas que são apenas brincadeiras, mas que na verdade nos oprimem".

No vídeo, Santiago lembra que Mbappé ganha o equivalente a 90.000 reais por jogo na Copa do Mundo e doa toda essa quantia para instituições de caridade. "Mas isso não importa, porque ele é negro. E negro correndo para brasileiro é gente fazendo arrastão", argumenta o baiano, de 23 anos. "Tudo porque o consciente coletivo diz que preto é automaticamente ladrão. E você, Cocielo, como grande influenciador, youtuber com milhões de seguidores, está reforçando esse pensamento". Foi criada a hashtag #RacismoNãoÉPiada e outros ativistas e influencers também responderam ao comentário racista.

Leia o conteúdo completo em El País