Estrelas de Hollywood reagem a diferença salarial entre Mark Wahlberg e Michelle Williams

Publicado em 13/01/2018 por O Globo

LOS ANGELES - Estrelas de Hollywood estão compartilhando sua incredulidade com a notícia da diferença salarial entre Mark Wahlberg e Michelle Williams para as refilmagens do novo filme de Ridley Scott, "Todo o dinheiro do mundo". Segundo o "USA Today", o ator recebeu US$ 1,5 milhão por dez dias de trabalho, enquanto a atriz ficou com apenas US$ 1 mil. Partes do filme foram refeitas após o surgimento das denúncias contra KJevin Spacey, substituído por Christopher Plummer no papel de J. Paul Getty.

Liam Neeson considera essa polêmica saudável e necessária, pois "a disparidade, às vezes, é vergonhosa": "Nós, como homens, temos que fazer parte disso", disse ele à Associated Press no início desta semana. "Nós demos origem a isso, agora devemos ser parte da solução". O ator disse que não aceitaria um corte salarial para equalizar as coisas, mas ele acredita que "deve haver paridade. É preciso ter".

Diane Kruger - JEAN-BAPTISTE LACROIX / AFP

Diane Kruger se disse surpresa com a diferença salarial entre Wahlberg e Williams, mas afirmou que ela também não recebe o mesmo que os homens com quem trabalha.

"Eu nunca recebi o mesmo salário do meu colega masculino, nunca", disse Kruger. "Mas muitas vezes a culpa não é deles. São os estúdios ou quem faz o acordo, e é terrível porque isso faz com que você se sinta subvalorizado ou facilmente substituível. E isso não é certo, em qualquer área, não apenas para atrizes. Acho que precisamos ser mais conscientes quando fazemos negócios, sermos fortes e permanecermos unidas."

Rita Moreno também disse que ficou chocada com a notícia, mas não culpa Wahlberg: "Esse é o negócio dele. Isso é o que os atores fazem: eles são pagos muito generosamente, especialmente quando são grandes estrelas. Mas ela também é uma grande estrela. Não entendo isso".

Guillermo del Toro, vencedor do Globo de Ouro de melhor direção por "A forma da água", garantiu exigir que atrizes em suas produções sejam tratadas de forma justa.

"Eu acho que extremamente importante, porque o trabalho e a profissão são exatamente os mesmos", disse ele, acrescentando que Hollywood costumava reconhecer isso no passado. "Se você voltar para a era dourada de Hollywood, acontecia dessa forma. Havia excelentes atrizes - Joan Crawford, Bette Davis - que eram o combustível para os filmes, que eram motores para o cinema, e eram tratadas, pagas e consideradas dessa forma. Seja lá o que mudou, precisa voltar."

Joseph Fiennes, um dos protagonista da série "The Handmaids Tale", premiada no Globo de Ouro, acredita que as mulheres precisam agir se as coisas não mudassem.

"Me lembro da Islândia, em 1979, quando todas as mulheres entraram em greve", disse ele. "Eles entraram em greve, deram os bebês aos homens, desapareceram. O país entrou em colapso e agora é o único da Europa que tem praticamente paridade de pagamento e desde então teve duas líderes femininas. Então, é preciso fazer uma greve. Não se pode desistir, e assim os resultados aparecem."