Ethos lança documento “Por uma economia para o desenvolvimento sustentável”

Publicado em 30/11/2018 por GS Notícias

Ethos lança documento “Por uma economia para o desenvolvimento sustentável”

Durante a abertura da Conferência Ethos Belém 2018, realizada no dia 28 de novembro, o Ethos lançou um documento convidando as empresas e organizações presentes a se articularem para desenvolver uma economia para o desenvolvimento sustentável, inclusivo e responsável.

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O documento propõe uma reflexão sobre os caminhos que o país deve seguir daqui para frente, equilibrando o desenvolvimento entre os capitais financeiro, humano, social e natural; trabalhando os valores éticos, a integridade e a economia sustentável. Segue o texto:

POR UMA ECONOMIA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL!

Estamos vivendo um momento chave no Brasil e no mundo para (re)pensar o futuro que queremos. A mudança do clima se mostra cada vez como um dos maiores desafios da humanidade. A perda de biodiversidade também aumenta assim como o problema dos resíduos gerados. Temos passado por crises econômicas e políticas com consequências graves para todos. A intolerância para com diferentes pontos de vista permanece também como um grande desafio. Portanto, restam as perguntas: qual caminho devemos e queremos seguir como país?

Para nós, a resposta está em viabilizar uma economia para o desenvolvimento sustentável.

Muitos cresceram ouvindo o Brasil como “país do futuro”. Em tempos de crise climática e ambiental, quando as riquezas baseadas no petróleo começam a mudar para a floresta em pé, faz todo sentido quando esta é a nação da Amazônia, dos maiores aquíferos, bacias hidrográficas, da luz do sol, ventos, costas e áreas agricultáveis como poucos.

Resta saber aproveitá-las garantindo que permaneçam vivas e férteis para as futuras gerações. Ao invés disso, seguimos entre os que mais desmatam, contaminam rios, grilam terras, matam indígenas e ativistas socioambientais. Entendemos que esse quadro só irá mudar quando a sociedade chamar para si essa agenda.

Distante de uma visão romântica, meio ambiente é economia. Serão impagáveis os custos de mais retrocessos somados aos das inúmeras oportunidades perdidas. Só o recuo ambiental no pior cenário poderá custar US$ 5 trilhões ao Brasil até 2050, segundo estimativas de pesquisados brasileiros (Revista Nature Climate Change).

Desenvolvimento não é autorizar o desmate ilegal; invadir reservas indígenas e áreas públicas; garimpar com mercúrio ou minerar apenas para extrair, exportar e importar produtos de valor agregado. Restringir visão de progresso a isso é se apequenar, é querer ser pautado ao invés de pautar.

Com tantas riquezas que nos foram agraciadas, temos todas as condições como Nação de liderarmos novos paradigmas, de liderarmos o futuro.

Só no Brasil, com a proteção dos territórios indígenas, estudo do World Resources Institute (WRI) estima nas próximas duas décadas uma rentabilidade entre US$ 523 bilhões e US$ 1,165 trilhão, levando-se em conta os benefícios globais do carbono e a conservação do ecossistema, como água limpa, solo, polinização, biodiversidade e controle de inundações.

A guerra dos mundos nesses novos tempos não é mais pólvora, e sim, mais ciência e tecnologia.

Precisamos vislumbrar polos estratégicos na região amazônica com plantas industriais de baixo carbono, focadas em inovação, pesquisa, tecnologia, biotecnologia, processamento de produtos florestais “Made in Brazil”. E no caso das áreas agricultáveis, vale também a mesma lógica de modernização, com políticas e investimentos que reduzam os impactos e aumentem a eficiência e a rentabilidade.

Para isso, precisamos estabelecer princípios e compromissos para a criação de uma economia para o desenvolvimento sustentável que seja inclusiva, sustentável e responsável. Uma economia que procura assegurar uma relação saudável entre os processos produtivos da sociedade e os processos naturais, promovendo a conservação, a recuperação e o uso sustentável dos ecossistemas e tratando como ativos financeiros de interesse público os serviços que eles prestam à vida. Uma economia que promove o desenvolvimento equilibrado entre os capitais financeiro, humano, social e natural.

Essa nova economia deve caracterizar-se pela existência de investimentos públicos e privados, regras, instituições, tecnologias, políticas públicas, programas governamentais e práticas de mercado voltadas para:

  • Melhoria permanente dos processos produtivos;
  • Aumento da ecoeficiência e redução do consumo dos recursos naturais;
  • Redução das emissões de gases de efeito estufa e adaptação aos impactos das mudanças do clima;
  • Transformação de resíduos de um processo em insumo de outros;
  • Internalização dos custos das externalidades nos preços dos produtos;
  • Proteção dos mananciais, uso eficiente da água e universalização nos preços dos produtos;
  • Aumento da eficiência energética e ampliação das fontes renováveis nas matrizes energéticas e de
  • transporte;
  • Melhoria da mobilidade e da eficiência dos modais de transporte;
  • Recuperação e preservação dos ecossistemas.

É fundamental que sejam trabalhados também os valores éticos e de integridade paralelamente aos temas da economia sustentável. Uma economia praticada segundo padrões éticos elevados implica em:

  • Combate à corrupção e impunidade;
  • Valorização da integridade e da transparência;
  • Estímulo a concorrência leal;
  • Estímulo a cooperação;
  • Respeito às leis e regras de negócio e;
  • Reconhecimento e respeito absoluto aos direitos territoriais, sociais e políticos das diferentes comunidades, etnias e grupos sociais.

Por isso, convocamos as empresas e organizações aqui presentes a se articularem com o objetivo de discutir e formular esses princípios e compromissos, como contribuição para incidir nas políticas públicas e na transformação da nossa economia nessa direção.

Por uma Coalizão Amazônica pelo Desenvolvimento Sustentável!

Belém, 28 de novembro, de 2018