EUA pedem entrega de ogivas e mísseis da Coreia do Norte em 6 meses, diz mídia japonesa

Publicado em 17/05/2018 por O Globo

Donald Trump e Kim Jong-Un - Ahn Young-joon / AP

TÓQUIO - Os Estados Unidos pediram à Coreia do Norte que envie parte de suas ogivas nucleares, um míssil balístico intercontinental (ICBM) e outros materiais nucleares ao exterior dentro de seis meses, informou o jornal japonês "Asahi" nesta quinta-feira, citando fontes próximas ao assunto. O secretário de Estado americano, Mike Pompeu, parece ter dito ao líder norte-coreano Kim Jong-un, quando se encontraram este mês, que Washington pode remover Pyongyang da lista de financiadores de terrorismo se o Norte enviar os itens exigidos, disse o jornal.

Se a Coreia do Norte concordar com a desnuclearização completa, verificável e irreversível na cúpula com os EUA planejada para 12 de junho em Cingapura, Washington considera garantir garantias de segurança ao regime de Kim, incluindo a posição em um futuro comunicado conjunto entre o presidente americano, Donald Trump, e Kim Jong-un, disse o "Asahi".

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A Coreia do Norte trouxe incerteza à cúpula do mês que vem, ao ameaçar abandonar o encontro quando denunciou os exercícios militares conjuntos entre Coreia do Sul e EUA, que começaram na última sexta-feira e devem ir até 25 de março.

COREIA DO SUL: IGNORANTE

O principal negociador da Coreia do Norte chamou nesta quinta-feira o governo sul-coreano de "ignorante e incompetente", denunciou os exercícios aéreos realizados por Coreia do Sul e Estados Unidos, e ameaçou interromper todas as negociações com o Sul a menos que suas exigências sejam atendidas.

Os comentários de Ri Son Gwon, presidente do norte-coreano Comitê para Reunificação Pacífica, foram os mais recentes em uma série de declarações inflamadas marcando uma mudança drástica de tom após meses de alívio das tensões, com planos de desnuclearização e uma cúpula marcada com os Estados Unidos.

Ri criticou o Sul por participar dos exercícios militares, bem como por permitir que "escória humana" falasse em sua Assembleia Nacional, segundo a agência de notícias norte-coreana KCNA.

"A menos que a grave situação que levou à suspensão das negociações de alto nível entre norte e sul seja resolvida, nunca será fácil sentar-se frente a frente novamente com o atual regime da Coreia do sul", disse o comunicado, sem dar detalhes.

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A KCNA, em seu serviço em inglês, usa deliberadamente "norte" e "sul" minúsculos para mostrar que reconhece apenas uma única Coreia.

MEDIAÇÃO

Uma autoridade da Casa Azul da Presidência sul-coreana afirmou que o Sul pretende desempenhar mais ativamente "o papel de mediador" entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, mas esse objetivo foi posto em dúvida pelos comentários de Ri.

"Nessa oportunidade, as atuais autoridades sul-coreanas têm provado claramente que são um grupo ignorante e incompetente, desprovido do senso elementar da situação atual", disse Ri em comunicado divulgado pela KCNA.

A declaração não identificou a "escória humana" pelo nome, mas Thae Yong Ho, um ex-diplomata norte-coreano para a Grã-Bretanha que desertou para o Sul em 2016, realizou uma entrevista coletiva na segunda-feira na Assembleia Nacional da Coreia do Sul por ocasião da publicação de suas memórias. Em seu livro de memórias, Thae descreve o líder norte-coreano Kim como "impaciente, impulsivo e violento".