Ex-secretário da Seap e delegado são presos na Lava Jato

Publicado em 13/03/2018 por Band

Viatura da Polícia Federal em um endereço na Barra da Tijuca  / (Foto: Thaiana de Oliveira) Viatura da Polícia Federal em um endereço na Barra da Tijuca (Foto: Thaiana de Oliveira)

Agentes da Polícia Federal, em parceria com o Ministério Público Federal e a Receita Federal, prendem nesta terça-feira (13) o ex-secretário de administração penintenciária, do governo Sérgio Cabral, coronel César Rubens Monteiro de Carvalho e o delegado Marcelo Martins, atual Diretor Geral de Polícia Especializada, em mais uma etapa da Lava Jato no Rio.

Ao todo, são 14 mandados de prisão preventiva, 10 temporárias e 28 de busca e apreensão no Rio, em Mangaratiba, Niterói, Duque de Caxias e Araras em São Paulo. De acordo com o MPF, a operação surgiu após investigações de irregularidades no projeto pão-escola, cujo objetivo é a ressocialização de presos. A empresa induspan, do empresário Felipe Paiva, foi contratada para o projeto, mas o contrato foi rescindido porque havia desequilíbrio financeiro, ja que o estado fornecia os insumos necessários para a produção de pães, enquanto os presos forneciam mão de obra, com custo baixo para a empresa, que era responsável pelo fornecimento de lanches superfaturados para a Seap.

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Após a rescisão contratual, Paiva criou, por meio de laranjas, a empresa OSCIP Inicinativa Prima, que sucedeu a induspan no fornecimento de lanches aos presídios do Rio. O tribunal de contas do estado identificou, porém, que o esquema prosseguiu. Mesmo com as irregularidades, César Rubens autorizou a prorrogação do contrato com a fornecedora, causando prejuízo estimado de R$ 23,4 milhões à Seap.

A iniciativa Primus ainda foi usada para lavar dinheiro. Estima-se que por meio da rede de empresas com as quais a OSCIP celebrou contratos fictícios, Felipe Paiva tenha lavado pelo menos R$ 73,5 milhões. Neste braço do esquema, o principal doleiro do empresário era Sérgio Roberto Pinto da Silva, preso na operação "Farol da Colina".

O patrimônio de César Rubens aumentou ao menos dez vezes enquanto esteve a frente da Seap entre 2010 e 2015. Um dos operadores financeiros do ex-governador Sérgio Cabral, revelou em colaboração premiada, que parte da propina recebida na Secretaria era repassada ao mdebista, mas sem a definição de um percentual fixo como foi demonstrado em outras investigações.

Para receber a propina, César Rubens utilizava duas empresas das quais era sócio, a Intermundos Câmbio e Turismo e a precisão indústria e comércio de mármores. O sócio do ex-secretário na segunda é Marcos Lips, apontado como responsável pela entrega de dinheiro em espécie ao núcleo da organização.

Já na intermundos, o sócio era Carlos Matheus Martins, que por sua vez é sócio de seu filho, Marcelo Martins, na empresa Finder Executive Consulting Assessoria. Martins é delegado chefe do departamento de Polícia Especializada, e alvo da ação de terça-feira. Segundo a investigação, Carlos e Marcelo colaboraram com César Rubens na estruturação de pessoas jurídicas que viabilizaram a lavagem de dinheiro e ainda atuaram por meio da Finder junto ao grupo dirija do operador financeiro Ary Costa Filho.

Registros de emissão de notas fiscais por parte da finder para outras empresas investigadas foram encontrados no esquema. Entre os envolvido