Geopolítica da Copa: Cultura inútil sobre a história das copas (1)

Publicado em 14/06/2018 por Carta Capital

Por Luiz Ruffato

Chuteira FC na Copa do Mundo 2018

Chuteira FC na Copa do Mundo 2018Série Geopolítica na Copa, do escritor e colunista Luiz Ruffato, apresenta nos dois últimos episódios algumas curiosidades interessantes da história das Copas do Mundo. Aqui o primeiro capítulo:

Série Geopolítica na Copa, do escritor e colunista Luiz Ruffato, apresenta nos dois últimos episódios algumas curiosidades interessantes da história das Copas do Mundo. Aqui o primeiro capítulo:

& O primeiro gol foi do francês Lucien Laurent, na partida em que a França venceu o México por 4 a 1, no dia 13 de julho de 1930, no Uruguai. O gol saiu aos 19 minutos do primeiro tempo.

& A marca de primeiro pênalti perdido pertence ao chileno Carlos Vidal, no jogo contra a França, disputado no dia 19 de julho de 1930. Ele desperdiçou a chance de abrir o placar aos 35 minutos do primeiro tempo – mas seu time ganhou o jogo por 1 a 0.

& O norte-americano Bert Patenaude foi o primeiro jogador a marcar três gols numa única partida, no dia 17 de julho de 1930, na vitória dos Estados Unidos por 3 a 0 contra o Paraguai.

& As primeiras eliminatórias ocorreram visando a Copa do Mundo de 1934, na Itália, e contaram com a participação de 32 seleções disputando 16 vagas. Para a Copa de 2018, foram 210 inscritos, de todos os cinco continentes, classificando-se 32 seleções.

& Uma única vez, em 1934, as oito melhores seleções foram europeias – Áustria, Alemanha, Tchecoslováquia, Espanha, Hungria, Suécia, Suíça e Itália (que se sagrou campeã do torneio).

& Em 1938, a Espanha tornou-se a primeira seleção impedida de competir por causa de uma guerra – a guerra civil espanhola, desencadeada em 17 de julho de 1936, só terminaria em 1º de abril de 1939.

& Com a participação de apenas três seleções não-europeias (Brasil, Cuba e Índias Holandesas), a Copa de 1938, na França, foi a competição que contou com o menor número de equipes de fora do continente anfitrião (no caso, a Europa).

& A Copa do Mundo ficou interrompida por 12 anos, entre 1938 e 1950, por conta da Segunda Guerra Mundial.

& Em 1950, o Japão e a Alemanha, países derrotados e ocupados pelos aliados, não tiveram permissão para competir – mas a Itália, que também fazia parte do chamado Eixo, sim…

& Apesar de conhecida como o país que inventou o futebol, a Inglaterra somente estreou em 1950, no Brasil. E foi uma decepção: terminou eliminada na primeira fase, em segundo lugar no Grupo 2, tendo protagonizado uma das maiores zebras da história da competição, a derrota por 1 a 0 para o time dos Estados Unidos.

& A Copa de 1954, na Suíça, detém o recorde de maior média de gols por partida da história dos Mundiais: 5,38 (140 gols em 26 jogos). Só a Hungria fez 27 gols em cinco jogos, a maior média de uma seleção em uma Copa do Mundo (5,2 por partida).

& Por superstição, a seleção brasileira abandonou o uniforme com o qual perdeu a final da Copa de 1950, em casa, para o Uruguai (por 2 a 1), camisas e calções brancos com detalhes em azul, e que utilizava desde a Copa de 1930. A partir de 1954, passou a usar camisas amarelas e calções azuis, que a imortalizaria como a “seleção canarinha”.

& A vitória da Iugoslávia sobre a França por 1 a 0, no dia 16 de junho de 1954, em Lausanne (Suíça), foi a primeira partida a ter transmissão direta pela televisão.

& A Hungria começou a fazer aquecimento antes das partidas, durante a Copa de 1954, prática incomum na época e que passou a ser adotada pelas outras seleções.

& A Copa de 1958, na Suécia, foi a única que teve a presença de todas as seleções do Reino Unido (Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte).

& Em 1958, os dirigentes do Brasil esqueceram de mandar para a Fifa a numeração dos jogadores para a disputa da competição. Por acaso, Pelé, que estava na reserva, recebeu a camisa 10, que eternizou, em seguida.

& O gol número 500 foi marcado pelo escocês Robert Collins, aos 29 minutos do segundo tempo, no jogo que sua seleção perdeu para o Paraguai por 3 a 2. O holandês Rob Rensenbrink marcou o gol número 1000, convertendo um pênalti na partida em que a Holanda perdeu por 3 a 2 para a Escócia, disputada no dia 11 de junho de 1978. O gol 1500 quem fez foi Claudio Caniggia, no dia 25 de junho de 1994, quando a Argentina venceu a Nigéria por 2 a 1,. E o gol 2000 coube ao sueco Marcus Allbäck, no dia 20 de junho de 2006, no empate de 2 a 2, entre sua seleção e a Inglaterra.

& Pelé detém o título de mais jovem jogador a marcar um gol em Copa do Mundo. Ele tinha 17 anos e 239 dias, quando, no dia 19 de junho de 1958, aos 21 minutos do segundo tempo, fez o único gol da vitória do Brasil sobre o País de Gales. Pelé também é o mais jovem jogador campeão do mundo.

& A Copa de 1962, realizada no Chile, foi a primeira vista pelos brasileiros em videotape. As fitas chegavam de avião e eram exibidas nos dias seguintes aos jogos.

& A vitória da Inglaterra sobre a Alemanha por 4 a 2, no dia 30 de julho de 1966, foi a única final até hoje disputada num sábado.

& O goleiro mexicano Antonio Carbajal tornou-se, na Copa de 1966, o jogador que mais compareceu em Copas do Mundo: cinco. Seu feito foi igualado na Copa da França, em 1998, pelo alemão Lothar Matthäus. Matthäus detém, ainda, o título de jogador que disputou o maior número de partidas, num total de 25.

& Foi somente na Copa de 1970, no México, que começaram a ser permitidas substituições – e apenas duas por partida. O primeiro jogador a ser substituído foi Viktor Serebryanikov – em seu lugar entrou Anatoli Puzach, no intervalo do empate sem gols entre União Soviética e México, ocorrido no dia 31 de maio.

& Em 1970, também pela primeira vez, os árbitros passaram a utilizar cartões amarelo e vermelho para advertência e expulsão de jogadores. E, logo no primeiro minuto do jogo de estreia, o juiz alemão Kurt Tschenscher distribui três cartões amarelos: para o mexicano Gustavo Penna e para os soviéticos Gennadi Logofet e Givili Nodiya. O cartão vermelho só foi usado pela primeira vez no dia 14 de junho de 1974: o chileno Carlos Caszelly foi expulso aos 22 minutos do segundo tempo, pelo juiz turco Dogan Babacan, no jogo em que seu time foi derrotado pela Alemanha Ocidental por 1 a 0.

& No dia 7 de junho de 1970, houve o primeiro jogo em que nenhuma das duas seleções eram europeias ou sul-americanas. A goleada do México em El Salvador, por 4 a 0, colocou em confronto dois filiados à Concacaf, entidade que reúne países da América do Norte, Central e Caribe.

& Ove Kindvall, da Suécia, foi o primeiro jogador a ter dois de seus gols anulados: um no dia 3 de junho de 1970, na derrota de sua seleção para a Itália, por 1 a 0; outro, uma semana depois, na vitória sobre o Uruguai pelo mesmo placar.

& Também a Copa de 1970 foi a primeira televisionada via satélite para todo o mundo. No total, 50 países assistiram o evento.

Acompanhe a série Geopolítica na Copa, por Luiz Ruffato, com os 14 episódios e mais bônus:

As muitas Holandas (1)

O Sarre, em 1954 (2)

Israel e Palestina (3)

Guerra do futebol (4)

Sete vezes Iugoslávia (5)

França, a legião estrangeira (6)

Coreia do Norte, esse enigma (7)

Quatro homens, quatro destinos (8)

Futebol como propaganda política (9)

Era protesto, o que parecia ingenuidade (10)

A grande paralisação (11)

O futebol a serviço de ditaduras (12)

Mesmo em ruínas, Síria quase chega lá (13)

A União Soviética não era russa (14)

Próximo e último episódio: Cultura inútil sobre histórias das Copas do Mundo (2).

Luiz Ruffato – escritor brasileiro, autor de, entre outros, Eles eram muitos cavalos, Estive em Lisboa e lembrei de você, De mim já nem se lembra, Inferno provisório e Flores artificiais. Seus livros, publicados em 11 países, receberam os prêmios APCA, Machado de Assis, Jabuti e Casa de las Américas. Foi agraciado com o Prêmio Hermann Hesse, na Alemanha.

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