Após confrontos, palestinos enterram seus mortos

Publicado em 16/05/2018 por Jornal do Comércio - RS

O funeral dos 59 palestinos mortos por tropas israelenses na segunda-feira foi acompanhado por milhares de pessoas ontem, na Faixa de Gaza. As mortes ocorreram durante protestos contra a inauguração da embaixada norte-americana em Jerusalém - agora reconhecida pelos Estados Unidos como capital de Israel. Ontem, ao menos dois palestinos foram mortos perto da fronteira. Além disso, outros 417 ficaram feridos, a maioria a bala. A onda de manifestações chegou também à Cisjordânia, onde pequenos grupos promoveram protestos. 
A segunda-feira foi o dia mais mortífero em Gaza desde 2014 e fez parte de uma campanha de líderes do Hamas para romper o bloqueio fronteiriço que já completa uma década. A maioria dos palestinos mortos foi vitimada por tiros disparados pelas forças israelenses, os quais também feriram 1.360 pessoas - 130 estão em estado grave ou crítico, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. No total, o número de feridos chega a 2,7 mil.
A alta quantidade de vítimas reacendeu as críticas internacionais contra o uso de força letal por Israel contra manifestantes desarmados. Grupos de direitos humanos disseram que as ordens abertas do Estado de Israel a suas tropas são ilegais sob a lei humanitária internacional. O Exército diz que está defendendo sua fronteira e acusou o Hamas de usar os protestos como cobertura para ataques à fronteira.
Para o Hamas, que tomou Gaza em 2007, o protesto de segunda-feira foi o culminar de uma campanha que, há semanas, tenta romper o bloqueio com Israel. O grupo lidera os protestos na região desde o final de março.