Após rebaixar o Brasil, agência de risco mantém nota da Petrobras

Publicado em 12/01/2018 por Folha de S. Paulo Online

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A agência de classificação de risco Standard & Poors (S&P) manteve a nota da dívida corporativa da Petrobras em "BB-", com perspectiva estável, após rebaixar, na última quinta-feira (11) a nota do Brasil de "BB" (perspectiva negativa) para "BB-" (perspectiva estável), informou a petroleira nesta sexta-feira (12).

A nota do Brasil tende a influenciar a avaliação de todas as empresas do país.

Nesta sexta, a agência rebaixou a nota dos bancos Bradesco, Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Santander e também da Bolsa brasileira, agora denominada B3.

"A S&P considera que o nível de risco da companhia segue correlacionado com o risco soberano, estando, portanto, limitado à classificação de risco do Brasil", disse a Petrobras em nota ao mercado.

Com o rebaixamento da véspera, o Brasil fica três níveis abaixo do grau de investimento, uma espécie de selo de bom pagador. O país perdeu o selo em setembro de 2015.

Desde então, a S&P e as outras duas principais agências, a Moodys e a Fitch, fizeram sucessivos cortes na nota do país.

Em comunicado, a S&P informou que o Brasil está demorando para implementar as reformas que reduzam os riscos fiscais do país, principalmente a da Previdência.

"Apesar de vários avanços da administração [Michel] Temer, o Brasil fez progresso mais lento que o esperado em implementar uma legislação significativa para corrigir a derrapagem fiscal estrutural e o aumento dos níveis de endividamento", justificou a agência.

Após o rebaixamento brasileiro, ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, veio a público nesta sexta-feira para dizer que o Brasil "está em processo de consolidação de um crescimento forte" e que "a perspectiva de aumento da nota de crédito do país é questão de tempo".

"Estamos no caminho certo. Isso está claro e é importante. Vamos continuar trabalhando e seguindo nessa direção", afirmou o ministro. "Tenho certeza que a reforma da Previdência vai ser aprovada."

Um governo ou empresa consegue dinheiro vendendo títulos no mercado. Os investidores compram papéis com a promessa de receberem o dinheiro de volta no futuro com juros. Quando um governo ou empresa tem avaliação ruim, considera-se que há risco de dar um calote e não pagar esses investidores. 

Se houver desconfiança sobre essa devolução, fica difícil conseguir vender esses títulos, e é preciso pagar mais juros aos investidores para compensar o risco maior.

O rating, ou classificação de risco, indica aos investidores se um país, empresa ou negócio é considerado um bom pagador ou não.

O chamado grau de investimento, por exemplo, indica que tem baixo risco de dar calote, e que as aplicações financeiras feitas por investidores estrangeiros nesse país ou empresa terão risco próximo a zero.

A classificação das agências de risco é um instrumento relevante para o mercado, uma vez que fornece aos potenciais credores uma opinião supostamente independente a respeito do risco de calote de países, empresas e
negócios.

Porém, as agências foram muito criticadas por terem falhado na crise global de 2008/2009.

Elas deram boas notas para operações de vendas de hipotecas imobiliárias nos EUA que afundaram bancos e investidores e geraram a grande crise financeira.