Bahia tem sexto pior índice de leitura e matemática

Publicado em 10/10/2018 por A Tarde - BA

Sex , 27/10/2017 às 09:49

Renato Alban

Índices alcançados por alunos baianos são piores que as médias nacional e regional - Foto: Joá Souza | Ag. A TARDE Índices alcançados por alunos baianos são piores que as médias nacional e regional

A Bahia teve o sexto pior resultado do país nas provas de leitura e matemática da Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA). Os testes foram realizados, em 2016, por alunos do 3º ano do ensino fundamental da rede pública com 8 anos ou mais e aplicados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

De acordo com o Inep, 73% dos alunos da Bahia tiveram resultados considerados insuficientes nos exames de leitura e matemática, e 55% não atingiram o patamar esperado pelo órgão na avaliação de escrita. Os índices são piores que as médias nacional e regional.

No Brasil, dois milhões de estudantes fizeram a ANA. Na Bahia, a previsão era que 201 mil alunos prestassem o exame, mas o Inep só vai divulgar o dado efetivo no próximo mês. O órgão também não liberou ainda os resultados da avaliação por município.

Causas

Para o professor municipal e diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Bahia (APLB), Marcos Barreto, os dados são fruto de vários problemas, entre eles a falta de vagas na educação infantil, que precede a alfabetização. "Sem isso, a criança chega à alfabetização sem nenhuma habilidade construída, como segurar um lápis, por exemplo".

Segundo o diretor do sindicato em Salvador, cidade com mais estudantes das fases iniciais do ensino fundamental na Bahia, a carência de vagas na educação básica chega a 80%.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal da Educação de Salvador (Smed), durante a tarde desta quinta-feira, 27, mas não obteve resposta.

Ainda de acordo com Barreto, para reverter o quadro da educação básica é necessário investir na formação continuada dos professores, melhorar a merenda nas escolas e garantir materiais escolares como papel ofício, lápis e marcador de texto.

O Ministério da Educação (MEC) anunciou, na quarta-feira, um programa para melhorar a qualidade da alfabetização no país. O projeto inclui a contratação de assistentes para auxiliarem professores em salas de aula do 1º e 2º ano em cinco mil escolas durante cinco horas semanais.

Coordenador do Fórum Estadual de Educação da Bahia, Nildon Pitombo gostou da medida. "Já poderia ter sido tomada, mas envolve uma despesa muito grande". O investimento da União será de R$ 523 milhões.

Para Barreto, no entanto, os problemas vão além do campo pedagógico. "Também temos uma questão social. Uma criança que chega à escola com fome ou estressada porque os pais estão desempregados não tem bom rendimento", explica o professor.

ANA

A Avaliação Nacional da Alfabetização foi criada em 2014 para ser anual. Em 2015, no entanto, a ANA foi suspensa por cortes de gastos. O exame mede as capacidades dos alunos em leitura, escrita e matemática.

Se o nível de conhecimento do aluno é considerado insuficiente, isso significa que ele pode ter dificuldade de ler um convite ou uma receita culinária, de escrever textos legíveis sem trocar ou omitir letras ou de reconhecer o valor monetário de uma cédula.

MEC lança conjunto de iniciativas depois do resultado da avaliação

Após a divulgação dos resultados da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), o Ministério da Educação (MEC) lançou a Política Nacional de Alfabetização, um conjunto de iniciativas que envolvem a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a formação de professores, o protagonismo das redes e o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). 


Em paralelo, será criado o programa Mais Alfabetização, que destinará às redes de ensino municipal e estadual R$ 523 milhões para a contratação de professores assistentes para atuar junto com os titulares das salas de aula de 1º e 2º anos do ensino fundamental. A expectativa é atender 4,6 milhões de alunos, em 200 mil turmas a partir de 2018. Iniciativas semelhantes já foram aplicadas em estados como São Paulo. 


Para o diretor de políticas educacionais do movimento Todos pela Educação, Olavo Nogueira Filho, a proposta não é inovadora e sua eficiência dependerá da formação e preparo desse assistente. "A medida-chave é garantir o preparo que vai ser dado a esse assistente para que de fato contribua com o processo de alfabetização", explica. Também está sendo discutida a medida que prevê que a alfabetização seja antecipada para o 2º ano. 


Marco Antônio Jr. |  

A TARDE SP


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