Banqueiro não irá assumir a Fazenda, diz Haddad

Publicado em 10/10/2018 por Correio do Povo

Candidato do PT criticou concentração do sistema financeiro em poucos bancos

Banqueiro não irá assumir a Fazenda, diz Haddad | Foto: Nelson Almeida / AFP / CP

O candidato do PT, Fernando Haddad, afirmou nessa terça-feira que deve indicar um nome ligado ao setor produtivo para comandar o Ministério da Fazenda, caso seja eleito no segundo turno. Pressionado a fazer acenos ao centro e ao mercado, o petista descartou, em entrevista à Rádio Guaíba, a possibilidade de nomear alguém antes da eleição.

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A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, descartou que o partido faça uma Reforma da Previdência para mudar o regime geral. A reforma seria apenas para combater "privilégios". Ela acrescentou que a sigla tem uma posição fechada sobre a questão, o que impediria mudanças no programa de governo mesmo com a adesão de novos aliados. "Já deixamos claro que Reforma da Previdência só se for para quem tem privilégio, mas não em um regime geral de Previdência. A gente tem que ter muito cuidado com isso porque estamos falando do povo pobre.

Haddad disse que não convidaria um "banqueiro", como classificou Paulo Guedes, o nome preferido do adversário, Jair Bolsonaro (PSL), para o setor. O petista também não antecipa o perfil de um futuro ministro de seu governo. "Eu pensaria em alguém com um perfil completamente diferente (de Paulo Guedes), alguém ligado à produção, não aos bancos." Um dos motivos que afastaria um nome proveniente do mercado financeiro, segundo Haddad, seria a proposta de reforma bancária defendida no programa de governo do PT.

Fernando Haddad critica principalmente a concentração do sistema financeiro em poucos bancos, o que impediria a queda da taxa de juros em relação à definida pelo Banco Central, o chamado spread bancário. "O Paulo Guedes é ligado aos bancos, eu respeito, mas no meu governo banqueiro não vai assumir o Ministério da Fazenda. Uma das reformas que quero fazer é a bancária. Como eu vou colocar um banqueiro para fazer a reforma bancária. Não tem sentido nenhum."