BofA projeta crescimento global robusto em 2018 e dólar mais forte

Publicado em 07/12/2017 por Valor Online

SÃO PAULO - O BofA Merrill Lynch Global Research divulgou sua perspectiva para 2018 que tem como pano de fundo um forte crescimento econômico global, uma expansão constante dos Estados Unidos, uma reação da inflação e uma política fiscal que aponta para taxas de juros mais elevadas. Quanto aos mercados, a expectativa é por retornos sólidos das ações, que atingirão o pico no primeiro semestre do ano, recuando no segundo. Ademais, projeta-se retornos negativos para os bônus, dólar mais forte, maiores níveis de volatilidade e spreads de crédito mais apertados no ano que vem. Veja os principais pontos destacados pela instituição: 1- Cenário Macro a) Mundo: O PIB global real deverá crescer à uma taxa sólida de 3,8%, de 3,7% em 2017, ficando acima da tendência na maioria das grandes economias. A área do euro deve manter crescimento de cerca de 2,0% e o Japão de quase 1,5% em 2018 e 2019. Em conjunto, espera-se que as economias de mercado emergentes cresçam cerca de 5,0% em 2018, com a China avançando 6,6%. b) EUA: Crescimento será limitado por baixos ganhos de produtividade e um ritmo mais lento de contratação de mão de obra. A projeção é de 2,4% em 2018, de 2,2% neste ano. Embora ainda haja incertezas sobre o pacote final de reforma tributária, os economistas da BofA Merrill Lynch antecipam que o corte de impostos de US$ 1,5 trilhão adicionaria cerca de 0,3 ponto percentual ao crescimento do PIB americano nos dois próximos anos. O mercado de trabalho apertado provavelmente permitirá que a inflação aumente. c) Inflação: A projeção do BofA é que o núcleo da inflação dos EUA suba para 1,8% e 2,0% no fim de 2018 e de 2019, respectivamente. "Tanto a inflação dos salários como dos preços também devem ter tendência de alta, com a inflação salarial sendo potencialmente o fator mais importante para o mercado de ações em 2018 por meio da pressão de margem e dos spreads de crédito". Na zona do euro, a inflação subjacente aumentará muito ligeiramente para 1,2%, bem longe da meta de 2,0% do Banco Central Europeu (BCE). d) Política Fiscal: "O mercado pode estar subestimando o risco de que a reforma tributária dos EUA possa ser mais impactante do que o esperado", diz a área de pesquisa do banco. Depois da análise de suas implicações, as taxas de juros dos EUA poderiam fazer um movimento significativo para cima no primeiro trimestre, aumentando a pressão inflacionária nos mercados emergentes. O yield do título do Tesouro americano de dez anos pode subir para 2,85% no primeiro trimestre, em direção a 3,0% até o fim de 2018. A reforma pode também contribuir para uma maior divergência entre política monetária entre os EUA e do Reino Unido em 2018. Enquanto o Federal Reserve (Fed, banco central americano) continua de forma gradual o caminho para a normalização, o ritmo de aperto no Reino Unido será influenciado pelas negociações do Brexit e pela redução das pressões inflacionárias. 2 - Mercados a) Ações: O S&P 500 deverá chegar a 2.800 pontos até o fim de 2018, com os lucros por ação (EPS) crescendo 6% para US$ 139. "A reforma tributária poderia inicialmente adicionar até US$ 19 (14%) ao EPS do S&P 500". b) Câmbio: O dólar deve se fortalecer no primeiro trimestre, apoiado pelo aumento das taxas de juros dos EUA e pelo fluxo potencial de repatriamento ocorrido como resultado da reforma tributária. Para o BofA, três gatilhos podem levar a uma maior volatilidade cambial, quais sejam, a saída da flexibilização quantitativa pelo Fed, uma reavaliação do comportamento de 'busca por retorno' e uma revisão do prêmio de risco geopolítico. O índice do dólar deverá atingir 97,00, o euro recuar para US$ 1,10 e o dólar subir a 122 ienes no início de 2018. c) Renda Fixa: "As tendências fundamentais nos mercados de crédito são divergentes e continua a haver um único ciclo global de crédito", diz o BofA. Os spreads de crédito dos EUA devem ficar mais apertados no primeiro semestre com o excesso de demanda, mas mudam de tendência no segundo semestre. Esse comportamento também é esperado na Europa nos títulos corporativos (por conta do "QE") e nas taxas negativas. Nos EUA, são esperados um retorno total de 2,2% para títulos corporativos de alto nível e de 6,5% do 'high-yield index'. Na Europa, espera-se que títulos corporativos de alta qualidade tenham retorno total de 1,5%, com 4,5% do 'high-yield index'. d) Emergentes: Taxas de juros mais elevadas nos EUA, dólar mais forte, menos estímulos do BCE e a desaceleração da China devem levar à maior seletividade dos investidores em bônus e ações de mercados emergentes. O BofA mantém visão de alta das ações destes mercados. Como riscos estão a maior volatilidade advinda do cenário geopolítico, com os resultados das principais eleições presidenciais na América Latina e com a renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).