Cena externa leva dólar a fechar abaixo de R$ 3,80

Publicado em 11/07/2018 por Valor Online

Cena externa leva dólar a fechar abaixo de R$ 3,80

O humor com mercados emergentes melhorou no mundo e abriu espaço para a recuperação do real e uma nova rodada de alívio dos juros futuros. O desempenho da moeda brasileira foi mais forte do que muitos de seus pares, como consequência do posicionamento técnico do mercado local: depois do aumento das preocupações com o quadro eleitoral local e também com a redução do apetite por risco no exterior, cresceram as posições compradas por aqui.

No encerramento do pregão, o dólar valia R$ 3,7994, baixa de 1,85%. É a primeira vez desde o dia 26 de junho que o dólar fecha abaixo da linha dos R$ 3,80. No exterior, o dólar caía 1,40% em relação ao peso mexicano, perdia 0,72% na comparação com a lira turca, cedia 0,70% na comparação com o rand sul-africano e recuava 0,03% em relação à rupia indiana.

Seguindo o alívio observado no mercado cambial, os juros futuros reduziram mais um pouco o prêmio embutido nos contratos. No encerramento da sessão, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 8,18%, queda de 0,10 ponto percentual. Trata-se do menor nível observado desde o dia 5 de junho, quando esse contrato era negociado a 7,98%. Já o DI janeiro de 2025 terminou o dia em 11,12%, ou 0,12 ponto abaixo da véspera, no menor nível desde 28 de maio (11,02%).

O que explica a mudança dos ventos para emergentes é um conjunto de fatores, sendo que o principal deles pode ser o fato de os preços já terem se deteriorado excessivamente. Além disso, contribuíram para alimentar a busca por ativos de risco, segundo profissionais, os dados do mercado de trabalho americano divulgados na sexta-feira. Os números corroboraram a visão de que há um crescimento do emprego em curso, mas sem riscos inflacionários. Foram geradas 213 mil novas vagas de trabalho em junho, acima das expectativas, de 200 mil postos.

"O acúmulo de dois dias de alta nos mercados internacionais acaba tendo influência sobre o local", confirma Paulo Petrassi, sócio e gestor da Leme Investimentos. Na segunda-feira, o dólar perdeu terreno ante as principais divisas globais, quando o mercado local foi esvaziado pelo feriado no Estado de São Paulo.

Segundo Jayro Rezende, gerente de tesouraria do Bank of China, é natural que o dólar passe por uma acomodação em relação ao real após a forte alta vista recentemente. Na semana passada, a cotação chegou a tocar a máxima intradia de R$ 3,93. "Mas a tendência primária do dólar ainda é de alta, por questões internas e externas", afirma. "Claro que há um limite para a alta da cotação, mas o ambiente geral de incerteza ainda deve impedir uma queda mais acentuada."

O gerente de câmbio da Fair Corretora, Mário Battistel, concorda que o dólar estava "muito alto" e com a busca por ativos emergentes há espaço para correção. "Além disso, o mercado sabe que o Banco Central tem bala na agulha e isso ajuda a aliviar os preços", explica.

Essa onda positiva vinda de fora acabou deixando em segundo plano o noticiário político. Analistas consideram que o vaivém envolvendo a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um elemento que ainda justifica cautela. Embora a confirmação da continuidade da prisão de Lula seja uma boa notícia, criou-se o receio de que a postura mais atuante da Justiça gere mais instabilidade ao longo da campanha eleitoral.