Cesta básica ficou 0,61% mais barata em novembro

Publicado em 07/12/2017 por Jornal do Comércio - RS

Reflexo do clima favorável nos últimos meses, o preço dos alimentos seguiu sua tendência de queda em novembro. Em Porto Alegre, a cesta básica medida pelo Dieese saiu por R$ 444,16 no mês passado, diminuição de 0,61% em relação a outubro, puxada pela redução na carne e no tomate. Mesmo mais barato do que antes, porém, o conjunto de alimentos da Capital segue sendo o mais caro do País, pois a queda foi quase generalizada. Das 21 cidades pesquisadas, o valor da cesta básica caiu em 17 em novembro.
"Percebemos uma queda nos preços dos produtos in natura, como banana (-5,28%) e tomate (-2,65%), além da carne (-0,55%), que é o item de maior peso", comenta a economista do Dieese, Daniela Baréa Sandi. Mesmo menores numericamente, a perda de valor dos dois últimos impacta mais no custo do conjunto por terem uma participação maior na composição da cesta. Apenas a carne, por exemplo, representa 38% da cesta básica em Porto Alegre, fazendo com que qualquer mudança, mesmo que pequena, gere reflexos importantes no valor total.
A diminuição do preço do tomate, item mais instável pela grande sensibilidade ao clima e curto ciclo de produção, é explicada pelo aumento da oferta e pela baixa qualidade dos frutos. Já a banana sente o reflexo do calor nos últimos meses, que aumentou a produção da fruta no País. O clima, entretanto, foi adverso para outras culturas, como a da batata ( 12,69%), que registrou a maior alta no mês por problemas com chuvas nas regiões produtoras.
Chama a atenção também a alta no preço do feijão ( 0,56%) em Porto Alegre, item que ficou mais caro em apenas outras duas capitais (Florianópolis e Vitória). O motivo é o tipo de grão consumido no Estado, o preto, que vai no sentido inverso do carioquinha, preferido na maioria das regiões brasileiras. "O feijão preto demonstra essa possibilidade de aumento a partir de agora porque está saindo do período de safra. Mesmo assim, segue muito mais barato do que antes", comenta Daniela. Em 12 meses, o grão perdeu quase um terço de seu valor em Porto Alegre (-32,38%). Aliado a queda no arroz desde novembro passado (-9,06%), com o qual forma o prato mais comum das residências brasileiras, o movimento é uma boa notícia para a população de menor renda, que proporcionalmente gasta mais com alimentação do que os mais ricos.
Nos acumulados, aliás, a cesta básica em Porto Alegre também está mais barata em relação a si mesma. Apenas em 2017, o preço do conjunto básico já sofreu redução de 3,24%. Na avaliação em 12 meses, a queda é ainda maior, de 5,3%. Com isso, o comprometimento de renda com a compra de alimentos, para quem recebe um salário-mínimo, caiu de 57,96% em novembro de 2016 para 51,52% agora. "Mesmo que o salário-mínimo tenha subido muito pouco neste ano, a alimentação não pressionou o orçamento das famílias. A renda está menor pela conjuntura desfavorável, mas o cenário poderia ser muito pior se não houvesse essa redução nos alimentos", comenta Daniela.
Além da queda na renda nos brasileiros, que afeta a demanda, a redução no preço dos alimentos é explicada pelo clima favorável à maioria das culturas neste ano e pela estabilidade no câmbio, que ajuda a conter os custos de produção. "É esse um dos fatores que tem puxado a inflação para baixo, pois a alimentação é frequentemente o setor que tem mais peso nos índices", explica Daniela. A economista do Dieese ressalta, porém, que as constantes altas recentes em energia e combustíveis, além de impactar diretamente as famílias, pode contribuir para a reversão da tendência de queda nos preços dos alimentos nos próximos meses.