Cidades

Publicado em 10/10/2018 por O Fluminense

As últimas semanas foram de notícias tristes para a advocacia e a democracia brasileiras, em temas que tratei aqui, mas desta vez eu vou falar de coisa boa, de esperança. No início desta semana tive o prazer e o privilégio de representar o presidente da OAB/RJ, Felipe Santa Cruz, na cerimônia de entrega da Medalha Montezuma ao Ministro do Superior Tribunal de Justiça Benedito Gonçalves, realizada no Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB).

A comenda é uma das maiores honrarias do Instituto, que leva o nome de seu presidente e fundador, Francisco Jê Acaiaba de Montezuma, advogado, jurista, grande líder na luta pela nossa independência e também pela abolição da escravatura. Mas eu pretendo falar mesmo é do Ministro Benedito Gonçalves, que representa aquilo que tanto busco na minha vida pessoal e, sobretudo, como advogado militante.

O Ministro Benedito é daqueles magistrados que devem ser motivo de orgulho para uma sociedade, e não apenas pela sua sempre ótima relação com a advocacia, pois isto não é apenas mérito, mas dever, uma vez que a lei determina que não existe hierarquia entre juízes e advogados. A grande virtude de Benedito Gonçalves é a sua capacidade de dialogar, construir pontes, buscar sempre o consenso e a solução de conflitos.

Penso que este deveria ser o objetivo de todos nós. A incitação ao ódio, como temos visto já há tempos nas redes sociais, e agora já ganhando as ruas, não nos levará a um futuro melhor. Muito pelo contrário. Precisamos fomentar o diálogo e construir uma sociedade melhor através do convencimento, do embate democrático e necessário entre esquerda e direita, liberais e conservadores, como acontece nas sociedades mais evoluídas.

A advocacia e a magistratura que pregam a construção de pontes e diálogo contribuem decisivamente para a uma sociedade melhor. Esta tem que ser a busca de todos nós. Temos de eleger o diálogo como instrumento de transformação social.

Vou relembrar aqui algo que comentei na minha primeira coluna neste espaço, onde falei sobre a importância da democracia e o papel de Sobral Pinto no histórico comício das Diretas, em 1984, que reuniu mais de 1 milhão de pessoas no Centro do Rio, de todas as classes sociais e correntes políticas, que tinham como objetivo comum a liberdade e o respeito às diferenças.

Soluções fáceis e bordões moralistas nos levarão ao retrocesso. É missão de cada um de nós defender a democracia, a Constituição, que garante direitos mas é muito pouco aplicada no nosso país. As soluções fáceis não produzem efeitos e têm um custo muito alto. O processo é demorado, demanda esforço, combate e muito diálogo, como nos ensina todos os dias o Ministro Benedito Gonçalves.